“HOJE EU QUERO GANHAR O OSCAR SOZINHO”

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Para deleite dos cinéfilos brasileiros, o Longa ‘Hoje eu quero voltar sozinho’ (2014, Daniel Ribeiro) foi o escolhido entre quinze filmes para representar o Brasil na disputa de uma vaga no Oscar 2015 – o prêmio máximo do cinema – na categoria “filme estrangeiro”. Uma vitória não só de um cineasta sortudo e competente, mas também de um filme com uma temática delicada – provavelmente muitos já devem ter visto o filme; se trata de um adolescente cego que acaba encontrando o amor num colega novo de classe e os dois tentam vencer essa barreira do medo e do preconceito (lindo, né?) – coisa que há muito não se via ganhar tanta ênfase no cinema brasileiro.
Vencida essa barreira, esse que está sendo considerado por alguns “o melhor filme nacional dos últimos tempos” agora vai entrar num funil muito mais acirrado, disputando espaço com mais vinte e cinco filmes de outras nacionalidades (não norte-americanas) para no fim, apenas cinco serem eleitos para disputar a estatueta. Será que a obra de Daniel Ribeiro consegue chegar lá?
Levando em conta os chanceleres da Academia (pessoal que vota nos filmes do Oscar) e suas últimas escolhas, é bem provável que o filme chegue – ganhar já são outros quinhentos -, pois ele vem com um peso muito importante que é, além de sua temática, seus prêmios conquistados (que não foram poucos) no Brasil e exterior. O merchandising do filme foi muito bem feito e cativou os olhos de quase todos que o assistiram, tendo uma média de aprovação de mais de 80%.
Hoje eu quero voltar sozinho porém tem um problema muito grave: as atuações. A história é perfeita, mas se não fossem as atuações de Guilherme Lobo e Fabio Audi – protagonistas – o filme seria um fiasco. Foi muito nobre da parte do diretor de selecionar os fãs do curta (Eu não quero voltar sozinho, que de origem ao filme) para serem os figurantes, mas ao mesmo tempo ele enfraqueceu os diálogos, criando um ar de “fala decorada” em alguns momentos do filme – como quando os jovens estão na fogueira do acampamento – e isso em algum momento pode pesar negativamente.
O filme leva uma discussão que há muito se vem escondendo da sociedade e a joga em nossa cara como quem não tivesse importância, mas acaba valendo MUITO apena ver o filme – a final, é ou não é apelativo um jovem cego e gay? -.
A “segunda fase” da disputa vem aí e Hoje eu quero voltar sozinho vai conhecer seus filmes concorrente, que não estão para brincadeira. São filmes como o Armênio “Trevanik”, o francês “Eu, eu mesmo e minha mãe” e o favorito, o Húngaro “White God”. Hoje eu quero voltar sozinho (conhecido internacionalmente como “the way he looks”) terá dificuldades para chegar aos cinco melhores, mas penso que por sua temática e dinâmica pode ir longe nessa campanha e quem sabe trazer uma estatueta que o cinema brasileiro há muito não estava merecendo (desde Central do Brasil), mas de uns tempos para cá, voltou a merecer.
A cerimônia do Oscar 2015 está marcada para 22 de Fevereiro em Los Angeles, California. Até lá, é sentar e esperar, aproveitando para ver também alguns outros filmes concorrentes, para que depois não falemos que o filme foi injustiçado. Sinceramente, a disputa essa temporada não está pra brincadeira.

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