A MÁ VONTADE DE ESTUDAR DOS BRASILEIROS

Certo dia estava olhando as notícias da internet e me deparei com um desabafo do filósofo Paulo Ghiraldelli Jr que me chamou muito a atenção e me fez refletir um pouquinho.

estudo
As universidades brasileiras estão ainda muito longe de serem um exemplo para o primeiro mundo (salvo duas exceções: USP e UNICAMP) em termos de pesquisas e incentivo ao estudo, mas indo mais além, ou melhor, voltando um pouco na vida escolar, chegamos no ensino médio (ou segundo grau), local onde a maioria dos alunos decide senão o seu futuro, sua área de atuação no mercado e presta o famoso vestibular. Ainda no ensino médio, podemos ver no Brasil que o nível de escolaridade dos alunos que em teoria estão estudando todos a mesma matéria é muito espaçado, penso eu que os motivos principais são a falta de investimento nas escolas públicas de ensino fundamental e médio, o grande aumento de estudantes semi analfabetos no ensino médio (pelo menos aqui no estado de SP, onde uma lei proíbe que o aluno repita, diminuindo assim a evasão escolar), o péssimo salário dos professores de escolas públicas e os altos impostos arrecadados das escolas privadas. Todos esses fatores unidos formam uma má formação do aluno em duas vias: O aluno de escola pública passa sem saber ou não aprende o suficiente para entrar no vestibular ou aprende bem, mas tem dificuldades pois ainda assim é “pior” do que o que teve uma educação mais privilegiada. O aluno de escola particular aprende a viver na mesmice e no conforto e esquece de estudar pra valer e não passa no vestibular ou aprende o necessário e passa, mas na verdade ele não gosta mesmo de estudar.
Esse é um problema muito grave apontado por Ghiraldelli: O aluno brasileiro não está mais gostando de estudar!
Ghiraldelli comenta que uma Universidade inglesa reclamou que os alunos brasileiros escolhidos pelo programa “Ciências sem fronteiras” do governo federal são os mais preguiçosos e não gostam muito de estudar – a Inglaterra até cogitou cortar convênio com o programa – além de existirem reclamações como: “sou doutrinado por Marx” ou “não vou aprender de maneira neoliberal”. Uma penca de idiotas usarem dessa conversinha tola para justificar a má vontade, cada aluno brasileiro tem sua “desculpinha nobre” revestida de inteligência.
Mas de quem é a culpa?
Penso eu que a culpa vem do “jeitinho brasileiro” de todo que não é fiel a uma boa educação, alunos e professores tem culpa, o Estado tem culpa, ninguém está fora dessa história – talvez salvo os autores dos livros didáticos, eles fizeram sua parte – , um Brasil que já conseguiu sair do ranking da pobreza extrema agora precisa sair do ranking da falta de preparo escolar. É aluno que não quer estudar porque acha que escola é perda de tempo, é professor que não quer ensinar porque já desistiu de mostrar para os alunos o que eles tem que fazer e ninguém obedece, é o governo que trata o professor – desculpem a expressão – como um burro de carga – fala pro cidadão “você tem o dever de criar um futuro cidadão brasileiro, um ser pensante e que consiga realizar com destreza seu papel na sociedade… toma aqui seu salário de bosta” – e não está preocupado se o aluno está aprendendo ou não, para eles, estando na escola já é de bom tamanho.
E onde tudo isso respinga? Nas faculdades e posteriormente no mercado de trabalho, os dois últimos passos da vida escolar de uma pessoa. Eu ainda não tenho essa ideia pronta e formada, mas imagino que a faculdade é um antro muito, mais muito diferente de tudo o que um aluno já passou, pois ele vai se especificar numa área e vai parar de aprender algumas matérias que para ele são inúteis… Mas o que não se pode perder é a vontade de aprender! Imagino que muito da razão dos alunos não estarem querendo estudar é porque ele na verdade não quer realizar aquele curso. Vejo que muitas pessoas hodiernamente escolhem uma profissão que não lhes dê alegria ou satisfação e sim Dinheiro. É o dinheiro que está movendo as pessoas. Algumas vezes o individuo esquece que algumas atividades basais do ser humano ou não necessitam de uma universidade ou apenas um curso técnico já vai dar conta. Uma vez ouvi do biólogo e vlogger Pirula “A função da universidade é de formar acadêmicos e fazer pesquisas” e não de formar pessoas para o mercado de trabalho… CLARO que eu sei que para algumas profissões é necessário um curso mais especializado, mas será que tanta gente assim quer ser médico, dentista, engenheiro, etc? Será que eles se importam mesmo com a profissão ou é só status? Isso é uma pergunta que só poderia ser respondida por cada um dos que planejam ou estão cursando uma universidade, mas se fosse para dar um chute aproximado, convivendo com quem eu conheço e sabendo dessas pessoas, vejo que a maioria esmagadora está tentando um status na sociedade. E eu não fujo disso, só que tenho um ideal um pouco diferente… Planejo ser roteirista e trabalhar com Cinema então minha base ideológica para responder o “por que” está sendo: Eu quero passar entretenimento e informação para as pessoas por uma mídia ainda pouco explorada aqui no Brasil e liderada apenas por filmes com a mesma temática, quero mudar um pouco a linha de raciocínio do cinema brasileiro”. E com isso obviamente, se tudo correr como o planejado a consequência é fama e prestígio – não estou sendo prepotente, é realmente isso que acontece! – , mas não foi em fama e prestígio os pilares que eu me pautei para “escolher” minha profissão e sim porque é algo que eu amo de coração e sei que eu posso me dar bem (ou me dar mal).
Pular etapas da educação para chegar logo ao mercado de trabalho pode ser arriscado, mas se o cidadão quer, vá em frente, pois atrás vem gente que pode realmente querer estudar e saber mais pelo simples tesão de estudar. É esse tipo de gente (1º caso) que promove esse vexame brasileiro nas universidades do exterior – claro que existem muitas pessoas que querem sim estudar, ok? – por ficar de vagabundagem, sempre foi assim, porque na universidade seria diferente? Ghiraldelli se exalta ao culpar apenas os professores ideologizados, mas eles não escapam da minha crítica, assim como os pais, os alunos e o governo, como supracitado. O Ciências sem Fronteiras foi criado para que um aluno possa trocar experiências e aprender com outros povos em outros países, foi uma grande sacada do governo esse programa, mas ele precisa ser melhor administrado para que não haja mais reclamações como as da universidade inglesa, que os brasileiros estudiosos sejam bem vistos lá fora e melhorem a imagem do país em relação ao aprendizado.
E para os alunos vagabundos, lhes dou algumas dicas: pedreiro, marceneiro, desenhista, pintor, ferreiro, chaveiro, motorista, jogador de futebol, dançarino, soldado, padeiro, recepcionista, carteiro, lixeiro, político (melhor não)…

Advertisements

2 thoughts on “A MÁ VONTADE DE ESTUDAR DOS BRASILEIROS

  1. Meu primo querido, nosso mundo seria muito melhor se tivéssemos pedreiros, marceneiros, lixeiros, chaveiros… estudiosos!!! Se todos exercitassem a capacidade de reflexão que você aprendeu a exercitar desde pequeno!

    Like

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s