CBF E AS RELÍQUIAS DA MORTE

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O conto de fadas da Confederação Brasileira de Futebol parece não acabar, a cada ano que se passa, os lordes supremos, senhores da morte que ocupam o mais alto posto da direção do futebol brasileiro conseguem introduzir mais alguns centímetros de vergonha no ânus brasileiro. As duas últimas investidas foram, para mim as mais devastadoras.
Quando a seleção brasileira desembarcou na Granja Comary em Junho, Carlos Alberto Parreira teve a audácia de comentar que o Brasil estava com uma mão na taça. Resultado? Uma humilhante derrota por 7×1 para a seleção alemã, que viria depois se consagrar campeã em pleno Maracanã. Derrota essa que mexeu com a maioria esmagadora dos amantes de futebol de qualquer nacionalidade, até os próprios alemães sentiram as dores brasileiras… Mas os amantes do melhor esporte do mundo parece não terem ficado com remorso, a Copa passou e Felipão foi demitido, para eles isso bastou, agora um novo ciclo se inicia… Sério mesmo!? A medida de segurança da CBF foi apelar para suas três joias mais preciosas…
Todo amante da saga Harry Potter – ou qualquer pessoa que tenha um conhecimento mais aprofundado sobre a saga – sabe que as relíquias da Morte eram os amuletos de maior poder em todo o mundo, constituídos pela própria Morte a três irmãos mágicos que ousaram a enfrentar, uma capa da invisibilidade, uma pedra da ressurreição e uma varinha invencível, o bruxo que juntasse essas três peças, se tornaria o senhor da Morte – no caso, o sortudo foi o próprio Harry Potter – invencível, capaz de controlar o mundo, porém a ganância consumiu dois dos três irmãos e por sua ganância eles vieram a falecer muito cedo e sucumbiram à Morte, apenas o irmão que possuía a capa da invisibilidade conseguiu fugir da morte por muito tempo.
Mas o que tudo isso pode ter correlação com a CBF? Eu lhes respondo: A CBF está numa brincadeira muito arriscada de senhora da Morte e em algum momento, a Morte pode vir pegá-la e isso será uma tragédia para o futebol, já que quem manda no futebol brasileiro é essa instituição patética.
Após a humilhação para a Alemanha e a derrota para a Holanda (partida de 3º e 4º lugar), Felipão foi demitido e a CBF passou algumas semanas sem um técnico para a seleção. Nesse meio tempo, as emissoras de TV esportivas – abertas ou pagas – especularam nomes para a substituição do pífio trabalho de Scolari, nomes como os estrangeiros Guardiola, Mourinho, Sabella, entre outros eram os mais cotados, além dos brasileiros Tite (que está sem trabalho, após um trabalho empolgante pelo Corinthians) e Muricy Ramalho (que rege um importante trabalho dentro do São Paulo) foram citados, nenhum pedido foi ouvido, em vez disso a CBF resolveu utilizar de sua primeira relíquia da Morte: a pedra da ressurreição. Dunga, técnico da seleção na copa de 2010 foi o escolhido, a partir da anunciação, muitos comentaristas começaram a discutir se era mesmo a escolha certa, utilizando de argumentos deles e das minhas avaliações, chego a conclusão que realmente foi uma terrível escolha. Dunga teve seus anos de ouro no futebol e, menos que tenha estudado muito depois da eliminação para a Holanda na África do Sul em 2010, repetirá o trabalho péssimo de Felipão. A proposta era simples de ser entendida, dar uma nova cara, um novo futebol e uma nova ideologia a seleção brasileira, para isso um técnico mais antenado ou mais novo era extremamente necessário, não que Dunga esteja velho, mas não tem o conhecimento de Guardiola ou Mourinho, por exemplo. Ele pode estar com muita vontade, o que já demonstrou nos dois primeiros amistosos pós-copa, contra Colômbia e Equador, mas vontade não é o suficiente, é necessário uma ideologia de combate, coisa que é perceptível que a seleção não possui e é aí que a CBF implanta sua segunda relíquia da Morte… “Tá ruim o jogo irmão? Dá no Neymar! Tá bom? Ah, dá no Neymar mesmo assim” foi uma frase que resume bem a grande Varinha das varinhas da CBF, o jovem Neyamar Jr, atacante, capitão e camisa 10 da seleção tem a responsabilidade de ganhar o jogo para a seleção, mas o que acontece se Neymar não jogar? Vimos isso na Copa, contra a Colômbia o atacante contundiu as costas nas quartas de final e não participou dos últimos dois jogos (o vexame e o quarto lugar), não que eu pense que com ele em campo o Brasil ganharia da Alemanha, longe disso, mas talvez, já que a seleção necessita tanto desse jogador, ele daria um ímpeto maior ao time e talvez não seria 7×1. Neymar é um garoto com muitas responsabilidades e parece, por enquanto, dar conta de todas elas, é o capitão e camisa 10 da seleção, além de ser titular num dos melhores clubes do mundo, o Barcelona. “Ah, mas não é só o Brasil que depende de um só jogador! A Argentina também depende só do Messi!” estúpido quem afirma isso, ao contrário do Brasil a Argentina possui um elenco – um elenco liderado por Lionel Messi? sim, mas é um elenco – onde em cada setor atuam líderes que impõe respeito nos seus adversários (a zaga com Garay, o meio com Di Maria e Mascherano e o ataque com Messi) e liderança no grupo, já o Brasil tem excelentes jogadores, mas não um bom elenco, temos a zaga mais cara do mundo (não é a melhor, mas é a mais cara) que não se encontrou nessa Copa (com exceção ao jogo contra a Colômbia, talvez), um meio-campo onde a maioria dos jogadores são titulares em seus clubes de luxo (Chelsea, Manchester City, Zenit), mas não consegue trocar mais que cinco passes sem ter a bola roubada ou ter que dar chutão e um ataque com o considerado artilheiro do futebol brasileiro, o ídolo/promessa de um campeão da Libertadores e o Neymar. Todo o time joga pensando em Neymar e isso é absurdamente visível, a chance de outro alguém decidir o jogo senão o camisa 10 é mínima. Se Dunga quiser mesmo dar uma nova ideologia ao futebol brasileiro, deve começar abolindo essa tática de “dá no Neymar que ele resolve”, o Brasil deve jogar unido, assim como fizeram Espanha e Alemanha esses últimos anos.
Mas a grande massa não assiste TV a cabo, ou pelo menos não os programas de esportes das emissoras pagas e pensa que com Dunga isso será fácil ou que qualquer técnico com mais “sorte” que Felipão vai conseguir executar com êxito esse trabalho. E por que o cidadão torcedor pensa assim? Pois a CBF utiliza-se e muito bem de sua terceira relíquia da Morte: a TV Globo. Isso não é teoria de conspiração nem nada disso, é conhecida a forte influência que a CBF e a Globo possuem e produzem no torcedor brasileiro, para se ter uma idéia, no dia seguinte ao vexame, as TV’s pagas (os programas esportivos) estavam a maioria indignados com o pífio trabalho de Felipão frente a seleção por toda a Copa, já a TV Globo e afins considerava a partida uma desgraça, um “apagão” e não representava o poder da seleção brasileira, querendo amenizar os estragos de uma péssima gestão, tanto de Marin como de Felipão, não se ouviu em algum momento algum comentarista pedindo a saída de Felipão da seleção imediatamente, ou culpando a atitude infantil de Thiago Silva em ser suspenso no jogo contra a Colômbia, eles focaram apenas em dizer que foi uma tragédia e que com Neymar – nossa varinha das varinhas – seria diferente. A Rede Globo utiliza de sua capa da invisibilidade para não ser vista como uma vilã da história, dando moral para ultrapassados como Parreira e Murtosa (a “nega” de Scolari) e apoiando suas escolhas, além disso, fora a copa, não gerem direito um campeonato brasileiro digno, uma Copa do Brasil, um campeonato regional, nada, apenas querem implantar suas regras e foda-se o futebol jogado, ou a arbitragem abominável e digna de pena, ou a infraestrutura horrorosa dos estádios, tudo isso não é mostrado, apenas se for para culpar o governo que trouxe a Copa, mas esquecem de culpar a CBF por um campeonato mais digno com uma melhor preparação de base. É por isso que países de menor expressão no esporte como os Estados Unidos já tem uma delegação mais bem posicionada a respeito, além do fato da Major League Soccer (MLS) ter o considerado futebol-empresa, eles possuem uma infra estrutura muito mais adequada ao esporte – e olha que o forte dos norte americanos é bola na cesta e não na rede! – com estádios lotados em todas as partidas, uma arbitragem profissional e uma base (ao nível deles, claro) muito mais dedicada onde não é nenhum pé rapado que entra e se entrar, pode ter certeza que será bem instruído, nos EUA, os jogadores são treinados para jogar em seus clubes, seja o que estão, seja os de coração, não são treinados já pensando em serem jogadores de Real Madrid ou Bayern de Munique. E isso eu posso dizer por experiência própria, pois sempre fiz escolinha de futebol e os alunos que se sobressaiam aos outros eram sempre aqueles que diziam “que Corinthians o que! Eu quero é jogar no Real Madrid!”, ou seja, queriam dar o passo maior que a perna, e posso afirmar que a maioria dançou numa dessas… O Brasil é um mercado de exportação de jogadores, não há uma base muito forte, tanto é que há muito tempo um clube brasileiro campeão da libertadores não vence um europeu com superioridade (sem mimimi, torcida corinthiana, vocês sabem que o jogo contra o Chelsea foi questão de sorte e não de superioridade!), vê-se os vexames do Santos contra o Barcelona, a derrota do São Paulo titular para um Bayern de Munique reserva e o vexame do último mundial de clubes, onde o Atlético Mineiro perdeu para o Raja Casablanca, do Marrocos.
Enfim, a CBF consegue utilizar muito bem de suas armas e sai imune dos combates, pois uma grande massa não se mobiliza pedindo a ação dos líderes para um melhor futebol. A seleção tem um jogo contra a Argentina daqui a pouco e será o primeiro clássico pós-copa, onde se enfrentarão um Brasil ainda ferido com o 7×1 e uma Argentina que ficou com o vice, mas saiu de cabeça erguida… Eu não me surpreenderia se houvesse novamente uma goleada.

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