ATEU OU NEO-ATEU?

ateismo_Edwin_Espinoza_Andino

“Religião é café com leite, não se discute”… Primeiramente, para quem diz isso, por favor pare de ler. Esse post não tem o objetivo de desacreditar ninguém, pelo contrário, respeito a religião de todos e seus dogmas, contudo venho por este falar um pouco sobre ateísmo e o suposto neo-ateísmo. Ateísmo refere-se a não crença da existência de um deus(es) (seja qual for) ou entidade superior, apenas isso. A palavra “neo” refere-se ao novo, porém no caso de neo-ateu (ou novo ateu), ela é utilizada de maneira pejorativa com intuito de criar uma classe a par da sociedade que merece ser excluída por não crer em Deus (ou deuses). Penso que a melhor maneira de se começar uma argumentação sobre o tema é usando uma antiga epistemologia criada por Karl Popper nos anos 30. Popper relacionou uma frase com um fato e chamou isso de falseabilidade, ela funciona de modo que para primeiro se provar uma ideia, é preciso tentar refutá-la, ou seja, torná-la falseável. A frase “Deus existe” nasceu antes da frase “Deus não existe”, ou seja, a primeira é a falseável, pois se Deus existe, quem afirmou é que tem que provar – caso contrário se tornaria uma inversão do ônus da prova e isso na ciência é uma falácia mal vista -, caso consiga, então Deus existe e fim de papo. O caso dessa frase foi utilizada por Popper com o intuito de mostrar que tudo no mundo é falso até que se prove o contrário, ele usou a mesma teoria da frase “Deus existe” e exemplificou sua falseabilidade em algo tangível, utilizando a frase “todos os cisnes são brancos”. Hoje em dia é bem fácil provar que todos os cisnes não são brancos (até mesmo em 1930 era fácil), é só você encontrar um cisne preto e pronto, refutada a frase. Com a frase “Deus existe” é a mesma coisa, porém existe uma complicação que mais para frente será entendida… “Deus existe” requer falseabilidade, pois estamos falando de um ser, portanto para falsear essa frase é necessário provar a inexistência de Deus, mas como provar isso se segundo os livros sagrados Deus é um ser invisível, onipotente e onisciente? A religião forma esse axioma quase impossível de se desconstruir, pois o objeto refutável é intangível e com isso, ela (religião) utiliza de inversão do ônus da prova para justificar a existência de Deus, ou seja, Deus existe pois não se dá para provar que não existe (ou todos os cisnes são brancos pois não se viu até hoje um cisne de outra cor), mas um fato importante é colocar Deus num patamar mais humano, ou seja, usar da falseabilidade das provas que se referem a existência de Deus e utiliza-las como contraprova, isso significa pegar um argumento para a existência de Deus e falseá-lo, por exemplo “Deus opera milagres”, ok, me defina milagre. Talvez muitos vão dizer que milagre é um acontecimento incomum com fortes tendências anti naturais (o Atlético MG ganhar a libertadores, o PT e o PSDB pararem com a rixa, etc…), e não estão errados, mas curar é milagre ou ciência? Se salvar de um acidente é milagre ou ciência? Vou lhes dar um exemplo, em 2011 eu ainda me considerava religioso e era fortemente temente ao deus cristão, eu e uns amigos estávamos num prédio abandonado com uma arma de paintball fazendo filmagens para uma aula de Ed. Física e houve um momento que alguém nos viu e pensou que aquilo era uma reunião de traficantes, ou algo assim e chamou a polícia, não demorou muito e mais de nove (NOVE) viaturas estavam no local, fomos abordados por cinco PM’s armados até os dentes que invadiram o local e nos pegaram de surpresa, foi uma das situações de maior perrengue na minha vida e posso dizer que naquela tarde eu rezei muito… mesmo. Passado o susto e explicado que tudo aquilo era um mau entendido, eu parei e pensei com mais calma: Um dos policiais disse que se fosse ele que estivesse no comando, a ordem seria chegar atirando, mas que ele não estava num dia bom e foi um outro cara, cuja ordem foi abordar os suspeitos e que foi um “milagre” eles estarem vivos… Pera aí! Milagre? Eu posso até acreditar em sorte ou competência, mas milagre? Parei para pensar e refleti naquela noite – que podia nem ter chegado para mim – se realmente foi um milagre e, apesar da minha família pensar que foi sim um milagre, eu penso que foi uma combinação de resultados competentes da polícia que acabou com o desfecho que teve (ninguém morreu), ou seja, foi competência da parte do policial que sabia que não estava num bom dia e não quis liderar a equipe, competência do líder da operação que deu as ordens de não matar ninguém, competência até minha e dos meus amigos de não reagirem de maneira nenhuma a abordagem, toda essa soma de competências resultou numa cena que muitos diriam ser milagrosas, pois se colocássemos em números, acho que nós teriamos 75% de chance de morrer e 90% de chance de levar um tiro naquela tarde. Ou seja, o milagre está na cabeça de quem vê, é refutável, é falseável, portanto se Deus opera milagres e fugir da morte é um milagre, acabei de dizer por experiência própria que não, e sim uma sequência de ações inusitadas, porém humanas, que resultou em algo não desastroso. Essa epistemologia de Popper foi muito bem usada por ateus ao longo dos anos. Falando de tempo, essa história de que ateu é coisa que começou no século passado só depois da teoria do Big-bang e da evolução (mimimi 3x) é de uma ignorância extrema, pois para se ter uma ideia, uma teoria muito aceita é que uma religião só existe porque antes não existia nenhuma, tecnicamente, ateus existem no mundo antes dos cristãos, mas a humanidade já venerou de tudo um pouco, do fogo ao figo e foi criando um pouco mais de coerência no que venera, chegando até os antigos egípcios, os gregos e os muçulmanos e judeus, até chegarem nos cristãos (isso apenas citando o ocidente). E nesse tempo todo, ateus foram considerados um pessoal que não se aplicava na normalidade do mundo e com isso não eram bem vistos pelos religiosos. Mas esse não é o ponto que eu quero tratar nesse texto, se quiser saber mais, pesquise a historia do ateísmo através dos tempos. Além do que, tire essa ideia preconceituosa que existe que se você acredita no Big-bang, logo é ateu ou vice versa, conheço vários ateus que não creem no Big-bang e nem por isso são religiosos. Ser ateu não é ser anti-religião, muito menos ser do Demônio, como já dito é apenas não crer que exista uma força superior que controle as nossas vidas, e aí vai mais um comentário particular: Eu ficaria extremamente chateado se realmente um ser superior está ditando e sabe de todos os meus passos por toda minha vida, ou seja, eu fui por toda minha vida uma mísera marionete dentre várias outras bilhões no mundo, grande bosta uma vida assim! Mas com religioso que realmente acha isso, eu não discuto. Na teoria todos nascem ateus, até porque nenhum bebê sabe discernir o bom do ruim, o certo do errado ou mesmo fazer escolhas que requerem razão, por isso que eu sou abertamente contra a educação religiosa antes dos 12 anos de vida – mas isso aí é de cada família, não vai ser mudado mesmo e eu não vou entrar nesse mérito para não causar polêmica -. O meu mérito é discutir se ateísmo gera ou não uma melhoria, mesmo que mínima na sociedade e na vida do ser humano e antes de começar, é melhor declarar que eu sei que para muita gente a religião é como uma fonte de sustendo psicológico para essa pessoa não cair de boca na vida real que a cerca e para essa pessoa ter um conforto na vida, sabendo que sua estadia na Terra não é em vão. É fato que a religião é manipuladora, principalmente em seus valores morais e que quem crê em algo, possui alguns bloqueios ideológicos para alguns assuntos como Estado laico, ensino religioso nas escolas, casamento gay, aborto, regulamentação de drogas entre outros assuntos polêmicos enquanto a maioria dos ateus, possui uma cabeça mais aberta para o caso – entende-se “cabeça aberta” não como sendo mais inteligente e sim mais passível a compreensão – podendo discuti-lo com alguns graus a menos de preconceito. Mas também é fato que alguns ateus – assim como alguns religiosos – mancham a imagem da ideologia utilizando de falácias e insultando sua oposição e é por isso que infelizmente foi criada essa teoria do neo-ateu ou teu revoltado. Ateu de verdade não “prega ateísmo”, ateu de verdade expõe suas opiniões sobre os fatos e com argumentos conceituados protege sua tese de que não exista um Deus supremo – mas também não significa que ateu tem que ficar caladinho enquanto religioso senta o pau em cima de nós -. Além do mais, eu sei que não existe um manual de regras para ateus, mas alguns argumentos o pessoal deve ser coerente/conivente para não ser preconceituoso. Para ser ateu a pessoa primeiramente (penso eu) que tem que estar muito decidida a largar sua religião, pois ela vai se encontrar num mundo muito, mais muito real que ela pode não concordar, um lugar onde a vida e a morte são o inicio e o fim de uma passagem de organismos vivos pelo planeta que geraram um ser pensante para nascer, viver e morrer, sem proposito maior do que deixar talvez seu legado ou lembranças na Terra, com a obrigação de ser ético, mas sem esperar um presente divino em troca. Isso, com acréscimo de outras coisas importantes para a nossa vida será o resumo da ideologia ateia sobre a vida. Se eu acho que um dia os ateus “dominarão” o mundo, eu penso ser pouco provável, mas não nego uma diminuição de religiosos no mundo, e com diminuição de religiosos eu não implico em aumento de ateus, mas em aumento de agnósticos, que é uma outra vertente da não-religião. É quase impossível o ateísmo ser maioria no mundo, pois hodiernamente ainda temos muitos países que dependem de sua religião para não sucumbirem e arrancar essa religião dessas pessoas é desconstruí-las moralmente, se uma pessoa vira ateia é porque acontecimentos em sua vida foram fazendo ela se desiludir e/ou perder a fé, procurar evidências e falsear a ideia de que Deus existe. O que existe hoje é uma massa respeitável de pessoas que estão virando ateias e parecem criança quando compra um brinquedo novo: quer mostrar pra todo mundo. “Olha, eu sou ateu! Religião é uma farsa, mimimi mimimi mimimi”. Isso é de uma falta de respeito com os ateus e com os religiosos tremenda, além de ser de uma deselegância absurda esfregar a verdade na cara dos outros (risos). Esses são os preconceituosamente chamados de neo-ateus. O ateísmo deve vir de dentro, da vontade da pessoa de descobrir mais e de sair de sua redoma de proteção, de saber sem medo de ser feliz e de extirpar mais da metade de seus preconceitos, gerados por uma barreira ideológica religiosa que lhe foi imposta em algum momento de sua vida. Minha experiência em si, na qual me fez virar ateu eu prefiro não contar, justamente por essa falseabilidade, pois eu estou feliz do jeito que estou e não gostaria de encontrar uma outra solução para minha estadia aqui na Terra e julgo que deve ser essa uma das maiores razões que muitos religiosos não largam suas fés, e eles não estão errados, eles vivem como eles julgarem que é mais proveitoso, mas deviam (todos devíamos) nos policiar mais e pensar antes de agirmos de forma preconceituosa perante algum fato ou grupo social. Ateu ou teísta, ainda vivemos numa democracia e seria de bom tom usar da ética universal antes da religião.

+FIK DIK: Procure saber mais sobre o ateísmo, isso foi apenas um singelo resumo e introdução ao assunto. Pesquise sobre a ARCA, sobre a ATEA que são algumas das instituições ateias que buscam informar um pouco mais o povo e LEMBRE-SE que independente de sua religião ou não religião, a luta por um Estado laico não pode cessar.

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