ABORTO? NÃO QUER, NÃO FAÇA!

A geração da vida é de responsabilidade total dos indivíduos, sendo o sexo consensual ou não, os responsáveis pelos filhos são os pais e ponto. A gravidez implica em mudanças corporais, sentimentais e de convívio da mulher – por isso que dizem que os hormônios estão a flor da pele -, uma que não consiga conviver com isso por (inúmeras) razões particulares tem por direito seguir duas vias: parir a criança ou parir a criança. Uma mulher que estiver passando por problemas extremos na gravidez, seja ela desejada ou não, não tem o direito assegurado por lei para fazer uma interrupção no processo – salvo em caso de anencefalia do feto – ou seja, abortar. E o que ela faz? Procura quase sempre uma clínica clandestina, muitas vezes mau aparelhada para arrancar aquele sofrimento de dentro dela – o que só causaria mais mal -. “O Estado não nos dá esse direito legal, então temos que burlar a lei” é o que muitas que já realizaram o aborto (e sobreviveram) contam.
Essa semana tivemos mais um caso registrado de uma vítima do aborto: Jandira de 25 anos foi levada para uma clínica clandestina e “desapareceu”. Ontem (27/09) em Campinas-SP foi realizado um movimento conhecido como “Marcha das Vadias” onde tanto mulheres como homens se reuniram no centro para protestar e pedir a legalização e regulamentação do aborto, ou melhor, a não criminalização da mulher que fizer um (e sobrevier). “Nosso corpo, nossas regras” é a bandeira levantada pelxs feministas, uma mulher que decide pelo aborto está pouco se fodendo para o que a mãe, o irmão ou aquela tia vão pensar; se considera um genocídio, uma violação dos direitos humanos, etc, está decidida, porém vai esbarrar na lei e pode se complicar – caso o aborto dê complicações ou caso ela o execute bem, mas tenha problemas com a lei depois -. O que muitos não entendem é que o direito de vida da mulher está acima do direito de um feto que ainda não tem a capacidade de pensar e sentir (dependendo dos casos).
“Ah, mas pense: é fácil falar depois que você já nasceu!”
Pois bem, primeiramente se eu fosse o feto abortado eu não pensaria, pois não cheguei numa fase mental onde eu possa entender ou fazer escolhas e segundo, eu sou um ser humano que está na linha normativa (pelo menos meu médico diz isso), mas e se eu fosse gerar uma gravidez complicada para minha mãe – se eu tivesse essa escolha -? E se ela tivesse o risco de morrer no parto? E se eu nascesse com alguma doença? Sinceramente, se eu tivesse o poder de escolha e estivesse infelizmente em alguma categoria supracitada, eu escolheria pela vida de minha mãe.
O que mais me entristece nem é o governo ou o legislativo que não aprovam essa lei, são as chamadas “instituições pró-vida” que na semana da votação da lei que regulamentaria o aborto de anencéfalos, fizeram passeata e acamparam na frente do STF, rezando para que a lei não fosse aprovada e ainda hoje continuam enchendo a cabeça de muita gente por aí de abobrinha. A legalização do aborto não pode ter resquícios em credos, crenças ou tabus, é uma questão de saúde pública e deveria ser tratada como tal.
E para quem comenta que o aborto vai virar método contraceptivo, deixo uma frase hipotética para você: “Nossa, que dia lindo, acho que vou transar, engravidar e depois eu faço um abortinho”.
Posso parecer muito “ateu revoltadinho”, mas se não fossem as religiões, muitos direitos que já deveriam ser assegurados por lei já estariam valendo. Não gosta da ideia do aborto? Não aborte! Todos os dias todos os tipos de mulheres abortam ilegalmente, não há opinião que mude isso.
A mulher tem o direito de fazer o que bem entender com seu corpo e se para ela abortar é a melhor ou única solução, sinto muito feto, mas isso deverá ser feito.

marcha das vadias

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2 thoughts on “ABORTO? NÃO QUER, NÃO FAÇA!

  1. Brilhante! Concordo totalmente, vai do ponto de visto de cada pessoa, tipo se uma mulher não quer abortar tudo bem mas isso não quer dizer que ela deve tirar o direito da outra de fazer isso já que uma vez que o filho não é seu não sera sua responsabilidade cuidar da criança e sofrer as dores de uma gestante.

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  2. Parabéns! Importantíssima discussão e muito boa sua posição! Sugiro uma continuação (para somar à questão da religião): a origem machista do discurso contra o aborto. Bjos!!

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