A CONSCIÊNCIA NEGRA: COTAS

Seja negro, branco, pardo, papelão molhado, amarelo, rosa, roxo, cor de burro quando foge, todos temos uma identidade que não pode ser mudada. Michael Jackson tentou e falhou, nunca busque ser quem não é. Isso vale para tudo e todos.

Hoje (20/11) comemora-se o Dia da Consciência Negra, um feriado implantado pelo simples fato de não conseguirmos sanar nossos preconceitos. NÃO, eu não estou dizendo que racismo se cura com ignorância, mas que o fato de ignorarmos os negros por tanto tempo é o que gerou o racismo. Primeiro a sociedade “mais desenvolvida” (vulgo, europeus) simplesmente negou a existência de negros, quando descobriu, utilizaram de sua tecnologia e “pensamento superior” para convencer a eles próprios que os negros eram uma raça inferior… De lá pra cá a coisa só degringolou: Ocupações, tráfico de negros, escravidão, segregação. Tudo que podia parecer o fim tinha como piorar. Então uma parte da população começou a se tocar que os direitos humanos deveriam ser bem mais amplos e não só para o homem branco, cristão e heterossexual. Surgiram inúmeras leis e com elas os movimentos negros se fortaleceram, ganharam voz e hoje em dia tem papel fundamental no funcionamento da sociedade, conscientizando que os direitos adquiridos não podem ser esquecidos ou violados.

Casos de racismo explicito hoje em dia são mais difíceis de se ver. Preste atenção, eu disse “racismo explícito”, numa sociedade como a de hoje, onde tudo gira tão rápido, não sabemos mais o que é racismo e simplesmente fazemos coisas que são “naturais” sem perceber que isso também é racismo. E para deixar uma coisa clara: isso serve para todas as etnias!

Um dos casos desse racismo maquiado que existe hoje que mais me incomoda são as cotas e o rebu que isso dá na sociedade. Desde a lei implantada onde a faculdade poderia escolher implantar ou não cotas para negros e indígenas nos cursos, as opiniões se dividiram nos que eram contra e a favor. Porém a taxação imposta sobre essa decisão feriu algumas partes que muitas vezes não conseguiam se expressar bem: se você é a favor, você é para seus iguais um defensor da igualdade e para seus diferentes um influenciador do racismo. Se você é contra, você é um defensor da igualdade para seus iguais e para seus diferentes um influenciador do racismo.

O que esses taxadores esquecem é que existem opiniões divergentes, não é tudo preto no branco como parece ser… E é por isso que vou explicar porque sou contra as cotas nas universidades, porém aceito que elas existam:

Primeiramente temos que explicar para que serve uma universidade e isso é fácil: formar acadêmicos e fazer pesquisas. Esse é o ponto principal, mas como o mundo capitalista exigiu um ensino superior para os melhores empregos, os moldes das universidades se modificaram e agora ela se tornou uma escola a mais, por isso que chamamos de curso superior. Essa exigência capitalista começou uma disputa por vagas em universidades nunca vista antes e é aí que o caldo começa a azedar.

Em segundo lugar preciso fazer meu comentário sobre meritocracia, que também é simples: a meritocracia no Brasil é hereditária. Para se ter um ensino meritocrático como o proposto pelas universidades é necessário que todos estejam no mesmo pé de igualdade (o que não acontece hoje), pois não podemos negar que não há metodo mais democrático que o vestibular para se inserir numa universidade, o aluno que se esforça passa, o que não se esforça fica… Seria lindo se não fosse utopia.

Em terceiro lugar precisam ser apontados o porque das cotas que hoje existem serem implantadas: considero um misto de compensação histórica com medo de repressão. As lutas do movimento negro estavam tão fortes que o governo precisava fazer algo, porém eles erraram brutalmente onde inserir essas propostas.

Dados os pontos principais, ainda falta concretizar mais minha opinião. Seguindo essa linha de raciocínio onde a universidade deve ser um lugar aonde a pessoa deve estar para aprender não o essencial, mas o adicional, porém o mercado de trabalho exige de nós um diploma muitas vezes e isso aumenta a competição por uma vaga, principalmente em universidades públicas. As cotas chegaram para conseguir aumentar o número de negros nas universidades e mais do que isso, o numero de negros conquistando cargos importantes no mercado de trabalho.

Isso não precisaria acontecer se a educação primária brasileira não fosse tão elitista e preconceituosa. As divergências mais duras ocorrem pois o pessoal que é contra as cotas acredita que essa inserção só aumenta o racismo, utilizando o pretexto do artigo 5º onde diz que todos somos iguais. O que esse tipo de gente esquece é que “todos somos iguais perante a lei, tratando os desiguais na medida de sua desigualdade”, o popular princípio da isonomia. Não é na cabeça de um adolescente que nunca viu um negro em sua sala de aula que você vai mudar isso, infelizmente, e socar essa condição pode aumentar ainda mais uma segregação entre brancos e negros universitários.

É nas crianças que o preconceito começa, em vez de o governo cobrar juros altíssimos nas escolas particulares, por que eles não incentivam um esquema de inclusão social desde o começo? Ou por que não tornam lei a PL 480/07 que obriga os deputados a colocarem seus filhos em escolas públicas, assim incentivando a melhoria do ensino? Muitas opções poderiam ser desenvolvidas para combater o racismo logo na infância e assim, com o passar do tempo não seriam mais necessárias as cotas nas universidades, pois todos estariam no mesmo pé de igualdade para então disputarem uma meritocracia justa. Até lá que as lutas dos movimentos continuem por igualdade e pelo fim do racismo, que não será amanhã nem depois, talvez nem estaremos vivos para ver.

MERITOCRACIA

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