“DITADURA” DO OPRIMIDO

Classes sociais, etnias, religiosas, entre outras são uma parcela da população cujo pelo menos um em cada três brasileiros se encaixa. Ou seja, existem negros cristãos ricos, brancos ateus ricos, brancas judias ricas, negras ateias de classe média e assim por diante.

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Hodiernamente vejo que alguns países – principalmente o Brasil – tratam essa relação oprimido x opressor com desdém, visto que não é tão simples assim definir um patamar de mais ou menos oprimido, isso depende do intra julgamento pessoal em relação às atividades externas recorrentes, e ninguém (NINGUÉM) possui por moral cívica julgar oprimidos e opressores individualmente, pois isso requer a busca aprofundada pelo segmento do próprio individuo. Mas isso está longe de ser conquistado no país onde rotulamos as pessoas em um piscar de olhos.

Poucos leitores do 50SON sabem que eu frequento alguns grupos em redes sociais – em específico, no Facebook – que tratam de acolher uma gama de internautas que, na visão deles, é considerado de uma classe oprimida, ou simplesmente internautas que não tem medo do preconceito e estão dispostos a mudar suas ideologias quando o assunto é cidadania. Muito nobre o trabalho desse pessoal, aliás, já comentei muitas vezes que uma luta dessas deve ser muito mais abrangente, mas também tenho fortes críticas a essa luta, pois ela parece estar se tornando pífia.

O Sistema que comanda o Brasil é rápido, inteligente e ardiloso, capaz de tudo para obtenção do resultado final esperado, ou seja, não mede esforços para destruir o que não o agrada ou mesmo, deixar esse fator se aniquilar sozinho, pelos inúmeros erros cometidos em prol da defesa do oprimido.

Normalmente essas páginas possuem ideal esquerdista progressista, no começo era lindo, me lembro, mas depois entrou em vigor a segunda parte de um velho ditado: “O oprimido pode ficar raivoso quando consegue saborear o poder”. Isso na realidade não passa de uma fase, mas uma faze onde, se o Sistema agir, tudo estará perdido; uma fase da analogia da mola – uma lei física na realidade, onde para se chegar ao equilíbrio, uma mola reprimida necessita primeiro extrapolar e recuar – que está em pleno processo. Felizmente (e tardiamente) foi dada voz a vários grupos oprimidos: negros, lgbt, mulheres (especialmente o movimento feminista), ateus (ainda mais voz, podemos dizer) entre outros e cada grupo desses fortaleceu sua militância. Militância essa engajada em elevar o reconhecimento social do individuo com a sociedade – essa: branca, machista, patriarcal, cis, heterossexual e cristã. vale a pena relembrar – e fazer com que esse determinado grupo seja ouvido não só com um apelo a autoridade. Porém existe um grave problema nessa militância que é o extremismo.

“Não opine em opressões que você não sofre”, disse o pequeno Stalin. Cara, cadê minha liberdade de expressão?! Se perdeu junto com o bom senso que quem eu julgava apto para conduzir ideologicamente o país para uma sociedade melhor e mais igualitária. Parece que estão ignorando que divergências intra-sociedade existem em qualquer que seja o grupo, simplesmente por sermos TODOS DIFERENTES. Posso pecar agora em cair na falácia do deslize escorregadio, mas fato é fato: A feminista que comenta que machista deve perecer/morrer  comete erros absurdos, pois se seguirmos sua analogia ela defende a ruína de um homem ou mulher que, não interessa sua vida olhando de uma visão macroscópica, ela cometeu um erro numa parcela de sua vida e por esse erro, tudo que ela fez de bom ou de útil é jogado no lixo, ou melhor, colocando essa analogia em outra situação, o cara branco que me negou emprego por eu ser negro deve morrer por causa disso? Não meus queridos! O mundo não pode girar conforme a sua individualidade, diferenças que não compactuam com a lei (racismo, lgbtfobia, discriminação da mulher) devem ser julgadas pela lei e os indivíduos participantes sofrerem por isso conforme manda a lei – lei essa que precisa ser revista, pois há muitas brechas para habeas corpus que não deviam acontecer (até porque a lei 7716 não abre exceção para habeas corpus) – lembrando sempre que é preciso diferenciar liberdade de expressão (lei) com discurso de ódio (crime).

Extremismo existe em todo e qualquer lugar. Psicologicamente falando “o desejo de mudança leva diretamente ao extremismo, cabe ao indivíduo saber a hora de amenizar o discurso”, as pessoas as vezes ficam cegas pela vontade de igualdade e justiça que extrapolam e entram de cabeça nessa analogia da mola – que precisa ser revista, claro, não sei se ela serve para todos os fatores, mas o fato é que entram no conceito base dessa analogia -. Ouvi de uma garota uma vez que “homem machista não tem volta” e discordo em muitas partes com ela, primeiramente que essa história de que só mulher pode opinar sobre machismo (logo, sobre feminismo, que é luta para se defender do machismo) é um eufemismo para segregação opinativa, segregação essa que a própria casa dos oprimidos sofreu e sofre até hoje. E veja, que lhes diz isso é um homem negro, cis, bi e não é nenhum projeto de pequeno Stalin que vai dizer que estou errado.

Como dito no parágrafo anterior, faço parte de alguns movimentos supracitados e apoio outros, mas isso não significa que concordo 100% com seus discursos, até porque isso seria alienação. As lutas engajadas dos oprimidos mais extremistas vão por si próprias se diluir através do tempo. Como numa guerra, a utilização do arsenal deve ser calculada conforme o inimigo, o que leio e vejo nessas páginas são excessos de munição em alvos errados e uma coisa muito pior, o fogo-amigo, esse último é que causa a disseminação da classe oprimida como um todo e torna inútil a luta – o que eu não quero que aconteça -. Eu, na realidade não acredito que tenha que haver uma “guerra”, mas sim a discussão e argumentação é que vai nos mostrar a verdade – levem em conta que a verdade não é absoluta – mais cabível para a sociedade de hoje em dia, o único modo de vencer o Sistema é ter argumentos melhores do que os dele, bater de frente com um corpo idealizado para aguentar porrada é burrice intelectual.

Nada ao extremo vai ascender ao desejado, pois o Sistema vai se encarregar de homeopaticamente transformar essa luta numa batalha de desocupados (é por isso que muitos movimentos não são levados à sério pelo Sistema). O Sistema é muito maior do que o grito  de justiça que nos guia e ele vai te corromper se não sabermos atacá-lo de maneira correta.

As pessoas ultimamente estão abusando da palavra legitimidade no seu contexto de grupos sociais e isso abre uma discussão onde o perdedor será o extremista do grupo. Não viveremos para assistir a igualdade, talvez, mas se não lutarmos corretamente seremos mais uma vez vítimas do Sistema e a sociedade não nos dará ouvidos.

Fica por hora minha opinião sobre o assunto. também gostaria de frisar repúdio a algumas páginas que não eram, mas se tornaram extremista e por causa disso estão perdendo inscritos e seguidores. Vocês são melhores que isso.

*PS: não, em momento algum eu pretendi fazer um mea culpa.

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