GAYS, ATEUS E ALUNOS: INOVAR E PERDER A TRADIÇÃO

Muitas vezes em debates políticos informais, caímos na vala do comum a achar e taxar os que defendem a manutenção de algumas leis como conservadores e os que defendem a manutenção de algumas leis que prejudicam as pessoas, também como conservadores. Esse impasse não pode ser generalizado, pois os esquemas de todas as leis vigentes hoje em dia são pilares que podem ser (não removidos, mas) movidos.

Não necessariamente a alteração de uma lei vai abrir brecha para outras coisas estúpidamente sem sentido. É a velha manobra falaciosa do deslize escorregadio.

Alguns acontecimentos recentes me fizeram pensar que não é só na política propriamente dita que isso acontece… vejam:

Pensaremos agora em um cenário: O Plenário

Ele possui um chefe, um mandante. Uma cúpula de sub mandantes e eles tomam conta de alguém, nesse caso o cidadão.

Se no plenário existe uma lei, como por exemplo, do casamento que diz que “casamento é entre homem e mulher”, essa lei possui um pilar: o casamento heterossexual entre apenas dois indivíduos. Aí vem uma PL que deseja incluir (veja bem INCLUIR) na lei do casamento, casais de diferentes identidades sexuais. Uma conta de matemática rápida: 1+1=2 (+= INNCLUSÃO). Incluir não é trocar, ou seja, não seria necessário destruir um alicerce para erguer outro. Não se fala em substituição da lei do casamento e sim da inclusão de mais uma possibilidade.

Os defensores da manutenção da lei do casamento utilizam da falácia do deslize escorregadio no ponto que utilizam argumentos como “ah, mas se lgt’s podem se casar, daqui a pouco pedófilos também poderão” ou “daqui a pouco necrófilos, zoofilos, bígamos poderão”. Argumentações completamente estúpidas pois as alterações na lei do casamento não apagam a parte de que “só será considerado casado o cidadão devidamente capaz de responder por seus próprios atos”, ou seja, não adianta você querer casar com uma criança, um animal ou um morto, ou uma máquina, etc… Ambas as partes devem ser devidamente capazes de assumir um compromisso e isso os supracitados simplesmente não podem. Vejo os líderes do senso comum a todo momento repetirem isso quando argumentam contra o casamento de homossexuais, travestis, transexuais, etc.

Tecnicamente essa primeira parte do post já deveria ser autoexplicativa, mas parece que uma galera simplesmente não coloca isso na cabeça e acha que “liberou um, liberou geral”.

Esse mesmo pessoal que defende com unhas e dentes o “casamento tradicional” são os taxados de conservadores, porém existe um outro grupo que entra nessa roda sem estar merecendo.

O conservadorismo é complexo e manter algumas normas ou tradições fazem muito bem para a sociedade. Exemplo:

Quando alguns governos comunistas se ergueram no passado, o país deixou de ser laico e passou a ser ateu. De uma hora para outra era proibido acreditar em Deus ou Deuses e isso criou uma opressão no cidadão que tinha antes o direito de manifestar sua religião. Hoje em dia, muitos falam que os “neo ateus” estão tentando transformar todo mundo em ateu… Por favor, NÃO! Sabemos que o equilíbrio só vem com o tempo, ninguém pode ser forçado a nada.

Nesse caso é bem claro que a imposição não trata de maneira inteligente a situação, é da cultura do povo crer em alguma coisa e arrancar dele isso a força é cortar pela raiz uma coisa que definia aquele povo.

O mesmo aconteceu na minha antiga escola, uma escola do Centro Paula Souza (gov do Estado de SP) que de uma hora para outra começou a acabar com décadas de tradições pautadas num modelo de “boas intenções”, mas que levou a grande maioria dos alunos e ex-alunos a se revoltarem contra isso. É o mesmo patamar do que acontecia em alguns regimes, você não pode simplesmente cortar ou limitar muito os antigos direitos e atividades dos cidadãos pautada no medo ou na esperança de que “vai melhorar”.

As diferenças entre manter tradições e inovar, acrescentando novas ideias são totalmente diferentes, uma não interfere na vida do cidadão que já convivia com aquilo, a outra muda completamente a de todos os envolvidos. Algumas vezes poder demais dado a uma só pessoa faz com que ela, por melhores que sejam as intenções, não conseguir lidar e acabar estragando tudo.

Nada é complicado se deixarmos fluir

Nada é complicado se deixarmos fluir

Que os homofóbicos entendam que casamento gay não interfere em suas vidas.

Que os ateus entendam que Deus não interfere em suas vidas

Que a diretoria do Bentão entenda que algumas atitudes não pioram (até melhoram) a vida dos alunos novos.

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