AULÃO DE HISTÓRIA PRA CONTAR QUE NÃO FOI A PRINCESA IZABEL QUE LIBERTOU OS ESCRAVOS

Gostaria de agradecer todos os sites e pessoas que me forneceram material para essa pesquisa. Nossa luta contra a ignorância não pode cessar jamais!

PARTE 1

Pesquisa do Instituto Data Popular aponta alto índice de preconceito contra favela.
Quais as origens do preconceito contra a favela?
47% dos brasileiros jamais aceitaria para trabalhar em sua casa um morador da favela.
69% dos moradores de outros bairros disseram ter medo da favela.
51% associam favela às palavras “droga” e “violência”.
Porém, como é comum com os preconceitos, essa impressão não se sustenta. Segundo estudo da FGV, quanto menor a renda e a escolaridade, maior o respeito à lei. Leia mais aqui.
Parece que o preconceito é sempre contra as pessoas honestas…

PARTE 2

“Alguns professores desinformados ou mal-intencionados ensinam diariamente para nossas crianças que, em um belo dia de 1888, a compaixão cristã bateu mais forte na Princesa Isabel e então ela assinou a Lei Áurea, que colocou fim à escravidão, e então os negros brasileiros puderam viver felizes. Não foi tão romântico assim!

Primeiro que, o fim do trabalho escravo já era debatido na sociedade mundial à anos, desde o Iluminismo, passando pela Revolução Industrial e sua necessidade de construir um mercado consumidor para seus produtos, e os escravos, como não ganhavam salários, não consumiam. Assim, a sociedade brasileira sabia que, mais cedo ou mais tarde, teria que substituir este tipo de exploração da mão de obra, por outro mais “moderno”.

Como a base da economia brasileira era o trabalho escravo, a substituição por “escravos assalariados” não poderia ser feita de forma tão brusca. Era necessário um processo para que os nossos grandes fazendeiros pudessem adaptar a produção e não ter prejuízos.

Em 1850, por pressão do Imperialismo Inglês, o Brasil promulgou a Lei Euzébio de Queiroz, que proibia o tráfico de negros, ou seja, não se poderia mais trazer africanos escravos para o país.

Em 1871 a chamada Lei do Ventre Livre declarava que todos os filhos de escravos nascidos desde então, seria considerados livres. Na prática, pouca coisa mudou, afinal a criança só poderia sair de perto da mãe quando completasse a maioridade.

Em 1885 a chamada Lei do Sexagenário declarava livre todos os escravos com mais de 65 anos de idade. Na prática, pouca coisa mudou também, afinal, em pleno século XIX, será que um trabalhador escravo, trabalhando cerca de dezesseis horas por dia, com uma dieta de feijão com farinha e dormindo na insalubridade da senzala chegaria a esta idade?”

O Destino do Povo Preto Após Abolição:

“…Quando os negros ficaram “livres”, significa dizer também que ficaram sem trabalho, sem casa, sem comida, etc. Por mais que as condições de vida de um escravo fossem péssimas, pelo menos havia o que comer e onde se abrigar. Quando da “abolição”, qual alternativa restou para este ex-escravo estigmatizado pela sociedade?

Muito embora surgissem algumas comunidades quilombolas que resistiram bravamente, os negros foram literalmente expulsos nas fazendas onde viviam, e eram proibidos de ocupar as terras no interior do país. O governo Imperial, que representava o interesse da elite cafeeira, logicamente não se preocupou e nada fez para conter este processo de marginalização da população negra.

Uma vez expulsos das fazendas, foram viver nas ruas, e devido à repressão do Estado, foram mais uma vez expulsos dos centros das cidades, restando apenas a opção de criarem abrigos improvisados em locais onde não ficassem tão longe dos grandes centros, pois precisavam ir até eles diariamente em busca de bicos para sobreviver: durante esse processo surgem as FAVELAS BRASILEIRAS.

Os que nem bicos arrumavam, e inexistindo outras alternativas, acabavam praticando jogos de azar, pequenos furtos, venda de produtos ilegais, etc.

Além disso estes negros não sabiam ler ou escrever, e depois de “livres” não podiam ir à escola.

Falar em consciência negra deve ser sinônimo de contar a verdadeira história das origens da desigualdade social brasileira. Mas é claro que a elite deste país não quer contar isso, não quer estimular a luta de classes, afinal, só quem tem algo a perder é esta elite, pois os pobres (maioria de negros) não possuem nada à mais de quinhentos anos. Quero estar vivo para ver o dia em que a favela vai descer o morro e exigir justiça!”

Cássio Augusto – professor e mestrando em História UEM.

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