A ELITE FUNKEIRA

total falta de juízo uma página postar algo desses, mais uma vez a Elite Branca Brasileira dá as caras... nada gentis.

total falta de juízo uma página postar algo desses, mais uma vez a Elite Branca Brasileira dá as caras… nada gentis.

ANALISEM BEM ESSA FOTO, ela foi extraída da pífia página de Facebook chamada “Ter Opinião não é Crime” com a seguinte legenda: “A realidade dos “funkeiros ostentação”… Isso quando não tão roubando pra ostentar “.

Isso nos remete a alguns fatos que há anos venho percebendo e vejo isso muito mais claro agora que estourou uma corrente reacionária, liderada pela Elite Branca fortíssima no Brasil.

No meu post sobre o MC Pedrinho (clique aqui) já dei minha opinião sobre a cultura funk e seus limites, mas agora vou me retirar especificamente da música e focar apenas nos indivíduos.

A moda é historicamente ditada pela elite, desde que tornou-se um grande negócio, o mundo fashion é composto em sua maioria de pessoas brancas e ricas (senão ricas, pessoas que subiram alto na carreira e conquistaram seu dinheiro). A ditadura da beleza tem seus olhos verdes ou azuis virados para uma forma de “belo” tão padronizada que o preconceito está implícito na mente de quem adquire essa visão – no caso, a maioria da população -. A visão capitalista sobre valor e preço amplia mais ainda o horizonte do olhar elitista, aonde definimos “roupa de rico” e “roupa de pobre” e como em qualquer luta de classes, a invasão do território alheio ou adversário é taxada como “apropriação cultural” (quando digo isso, coloco entre aspas simplesmente porque a definição de apropriação cultural não é essa, mas fica mais fácil de entender), exemplos vemos a toda hora: Jovens nas favelas usando Abercrombie, Lacoste e tênis Nike, de iPhone e corrente de ouro e um Oakley na cabeça. A pergunta é, com o perdão da palavra: O que o cú tem a ver com as calças?!

Até onde eu sei, esse paraíso perfeito do capitalismo nos dá a liberdade (limitada) de termos tudo o que quisermos e se não conseguirmos pagar, financiamos e pagamos mais caro mais tarde… Somos tão superficiais que um cervo estampado numa camisa branca faz ela ter um zero a mais que de uma camisa lisa.

Esse caloroso consumismo faz com que as pessoas queiram, mesmo que sem pensar, entrem na moda devidamente exposta, mas não… Isso é uma coisa que a Elite Branca não vai aceitar.

“Previsão do futuro desse moleque: Bangu I ou vala”

“Quem vai ter inveja de um escrotinho desse?”

” Esses funkeiros são o câncer da sociedade! Atraso e peso para a nação! Bando de prostitutas e ladrões analfabetos!”

São alguns comentários retirados da foto na página. Vemos implícito o julgamento e o preconceito, uma forma de dizer “Tire essa roupa que você não merece usar” ou que “não define você”. Patético pensamento discernido através dos tempos, não basta já mandar esse povo para viver em situações precárias nas favelas, quando eles querem se socializar com o asfalto são ridicularizados.

O ponto de vista humano sobre essa causa é completamente complicado e não é único, e por isso mesmo a solução passa por um estudo sociológico devidamente aprofundado com a ajuda até de cientistas e psiquiatras para saber o que gera essa repulsa enorme da sociedade com essas pessoas.

Temos também um fator, digamos “agravante” que é a paranoia da ostentação. Digamos que um classe média alta de Copacabana para impressionar as menininhas veste sua camisa Ralph Lauren, calça seu jeans Ellus e calça seu Sergio K. e vai pra boate, enquanto o rapazinho do Alemão, também para impressionar as menininhas (as “novinhas”) veste sua camisa Ralph Lauren, calça seu jeans Ellus e calça seu Sergio K. e vai pro baile funk. Ambos servos do capitalismo utilizando de seu poder de aquisição (uns com mais facilidade, outros com menos) para impressionar a sociedade e dizer “eu estou aqui”. Ostentação não passa disso, ela foi criada pelo capitalismo, para girar o capitalismo e agora os que mais se beneficiam do capitalismo querem hierarquizá-la? Se um produto foi lançado ao mercado para consumo ele pode ser consumido por qualquer classe social com aquisição o suficiente para comprá-lo (não vou entrar no mérito dos ladrões, isso é estereótipo).

A globalização é um termo tão hipócrita que perde todo seu sentido no primeiro exemplo que damos, onde vemos que os meios de produção não são globalizados e sim os nossos desejos. É por isso que existe a ostentação, nos sentimos obrigados a nos realizar de tal maneira que precisamos estar em constante concorrência com o próximo em busca do padrão ideal.

Nas favelas vemos um total descaso com a população, muitas vezes jogados na extrema pobreza, é exibido pela mídia um padrão de consumo (que isso sim, como disse, é globalizado) e a pessoa adquire em sua mente esse padrão, onde a camisa branca da loja de departamentos mesmo sendo bonita é mais feia do que aquela com um cervo estampado por um semiescravo chinês. E isso vai passando  por todos os meios e classes sociais. Quando o pedreiro ganha seu pagamento, ele vai comemorar com a melhor cerveja, quando o lojista recebe o seu pagamento ele vai jantar com a família em um restaurante mais caro, e assim por diante enquanto os mais ricos, que vivem em total ostentação, ficam dando pitaco que o filho da empregada tirou uma foto no Instagram com seu iPhone no baile funk. poderíamos dizer que é inveja, mas eu considero preconceito com uma pitada de ódio… Ódio de não ser mais tão especial, de mesmo dirigir uma BMW enquanto o faveladinho anda de busão, olhar para ele e julgar que as roupas que ele veste são inapropriadas para sua classe social.

A questão dos interesses e necessidades é particular de cada um, utilizamos o mínimo do capitalismo que não nos oprime para escolher o que nos satisfaz. Mais vale um barraco na moda do que uma mansão cheia de preconceitos.

Ostentar o que tem (ou o que não tem) não nos diz respeito, não somos de maneira nenhuma afetados por um MC da vida, todos temos que começar de algum lugar e depois vamos vendo como o mercado sorri para nosso trabalho. Um exemplo disso é o MC Guime, que agora já acumula seu primeiro milhão e começou por baixo, porém quando “chegou lá” não deixou de ser humilde a ponto de muito Elite Branca infinitivamente mais pobre que ele.

Realmente a mente dessa Elite é tão confusa que provoca imensos axiomas nela mesma, pois ao mesmo tempo que prega um estilo de vida, quando alguém de baixo assume esse estilo, ela tenta se modificar, pois nunca pode perder seu posto de elite.

Repudio tanto esse post como muitos outros dessa página e se caso a administradora da mesma estiver lendo, espero que tome umas doses de Cimancol para não repetir as asneiras que profere na internet. E se o garoto da foto vir um dia a ver esses meus comentários, saiba que o seu direito de se vestir assim não esbarra em nenhuma ordenzinha de Elite Branca.

OBS: Confuso com minha determinação sobre a Elite Branca? Clique aqui!

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