OS TRÊS PILARES QUE LEVARÃO O BRASIL DO FALSO TRUÍSMO A CONQUISTA GLOBAL.

Para entendermos as capacidades do Brasil dentro do mercado, é necessário primeiro olhar no retrovisor e entendermos que fomos um país que chegou atrasado em quase todos os marcos revolucionais globais. Somos uma democracia jovem e temos interesse em nos tornar o maior país do BRICS, quiçá um dos maiores do mundo e sem precisarmos seguir as receitas neoliberais, porém um medo assola os economistas quando falamos em aniquilar o liberalismo econômico. “Como assim, o maravilhoso mundo de Mises não será mais alcançado?” Não, pois já está sendo provado que numa sociedade mais igualitária e ao mesmo tempo rica esse pensamento não vinga. Temos a capacidade, e o governo Lula já nos mostrou isso, de subirmos rapidamente sem detrimento de peças fundamentais como o trabalhador e o Estado, esse último não necessariamente deve ser extremo intervencionista, mas moderadamente deve se impor como ordem máxima da economia, justamente por essas três razões que – não são peculiares do Brasil, mas – intervêm com mais celeridade em países emergentes.

Condição de produzir não é globalização. Globalização não existe.

Somos induzidos que felicidade hodiernamente passou a ser sinônimo da união de três palavras: “bom”, “bonito” e “barato”. Se dentro da minha vida miserável eu encontro no capitalismo exacerbado esses três pilares, eu sou “feliz”. A pergunta é: e as condições de produzir o bom, o bonito e o barato são globais? Não. enquanto os micro neoliberais brasileiros se financiam em juros de 2% ao mês, os europeus e japoneses, por exemplo se financiam a 0,2% ao ANO. E o jovem brasileiro e o jovem chinês recebem pela mídia a mesma mensagem desse “bom, bonito e barato”, na realidade a única e verdadeira globalização é esse desejo. Hipócrita é quem acredita no discurso que os meios de produção são globalizados apenas nos países de primeiro mundo por necessidade de um mercado incisivo e de um governo com Estado mínimo.

O Domínio  tecnológico do planeta é global? Não.

Mesmo sendo um dos apenas seis países no mundo que fabricam e vendem aviões, O Brasil está quase sempre três gerações tecnológicas atrasadas em relação a ponta mundial (segundo a FGV). Em consequência de tudo que não fazemos em educação (desde ensino médio e técnico até as universidades), temos um retardo tecnológico médio. Se todas as condições de competir forem iguais e essa for diferente e o marco neoliberal contaminar a competição sem intermediação nenhuma essa economia atrasada perde, quebra e não tem como se financiar.

Escala (não é preciso ser economista para entender)

Quando se entra na feira pra comprar uma fruta, normalmente se escuta ” leva, freguês, 3 é R$1 e 6, 7 ou 8 é R$2″. Quanto mais quantidade, mais cai o preço por unidade, na prática é assim: Uma fábrica chinesa de confecções (de um valor agregado baixíssimo, de grande massa de mão de obra) produz 1 bilhão de calças  por mês. O preço do pano para a fábrica (quantidade) sai muito mais barato e basta que a China ganhe 0,50 centavos de dólar numa calça e a soma de um bilhão de meios centavos dá a rentabilidade que ela precisa. Na média do empreendedorismo brasileiro, 70% são de micro e médio negócio, que por definição opera em pequena escala, se todas as outras condições de empreender forem iguais e essa condição (escala da economia) for diferente e o marco da economia for essa prostração neoliberal, quebra de novo.

O Brasil possui uma economia de pequena escala, estrangulada no financiamento e anacronizada nos padrões tecnológicos.

Qual é o marco de economia política que se impõe para exame da conjuntura nacional hoje? Com certeza não é o marco neoliberal. Quer dizer, é uma volta àquele nacional-desenvolvimentismo que nos tirou do zero para a 15ª economia industrial? Pela mudança do perfil financeiro, dos ciclos tecnológicos, pela questão da escala, parece que não. Como as condições de produzir não estão (e não serão) globalizadas, o garoto dos Jardins e o garoto da Rocinha ou o de Nova York possuem as mesmas aspirações, e não seria trivial essa conclusão, são símbolos de estética e de aceitação do garoto em seu grupo e aí como no Brasil as coisas ainda não estão sistematizadas, os políticos do alto escalão não gostam de discutir essas coisas, a imprensa detesta algo que seja mais complexa, nós temos dois fenômenos claros: A pirataria ampla, geral e irrestrita (a tentativa venial de produzir o fake do “bom, bonito e barato”) e de outro lado temos a violência explosiva do ambiente urbano brasileiro tem essa raíz, porque pobreza sozinha não gera violência, e de onde é que vem a violência? Da justaposição do homem pobre incitado por essas referências de consumo com a existência física dessas referências de felicidade na mão de alguns poucos. O egoísmo gera dois filhos: o egoísmo e a violência.

Então, a pista do marco político-econômico já está dado, e foi o governo Lula que o implantou. O primeiro passo é elevar o nível de poupança interna do país (enquanto não chegarmos a uns 22% do PIB, esqueçam desenvolvimento e sustentabilidade com retorno), o Brasil ganha produtividade a 3% ao ano (trocando gente por máquina) e coloca 3 milhões de rapazes e moças no mercado de trabalho, qualquer crescimento menor que 5% não será capaz de absolver o jovem que chega e o meia-iade que é expulso pela robótica e afins. E para crescer sustentavelmente com inflação até apenas 5% o país precisa de um nível interno de poupança acima de 22%. Essas medidas passam, necessariamente pela taxação das grandes fortunas, países com Estado maior que adotaram essas medidas – chamados injustamente pelos neoliberais de países liberais – hoje em dia podem desfrutar de uma social democracia moderada onde mesmo que haja uma parcela pequena da população com a metade dos capitais do país, a economia gira em condições de suprir as necessidades do “bom, bonito e barato” da maioria quase absoluta do cidadão. Temos também o marco de relacionamento deve ser “reespiritualizar nossa civilização”, é mostrar que felicidade não se busca no consumismo, porém ao mesmo tempo teremos que construir as condições de que o Brasil possa competir com o global, sozinha a questão da poupança não basta, é preciso ter Venture Capital moderado. Para a questão da escala, precisamos promover alguns movimentos como produzir grandes corporações nacionais brasileiras capazes de atuar de forma protagonista na escala global (A Petrobrás mostra isso), pouco tempo atrás o Brasil produzia mais ciência tecnológica do que a Coréia em hoje tudo se inverteu, e a Coreia possui apenas quatro montadoras globais, o que eles tem? Disciplina? Somos capazes também de ter disciplina. O Brasil possui grandes investimentos estrangeiros, as nossas reservas cambiais são as maiores da história, estamos incrementando a presença nas Universidades, estamos julgando os casos de corrupção, não há quase um número – salvo o da Dengue – que está prejudicando o completo social-econômico.

Em poucos anos de prostração neoliberal (final dos anos 90, início dos anos 2000), o governo do PSDB com Fernando Henrique Cardoso não só diminuiu o número de estatais brasileiras como sucateou e dizimou 1/3 dos nossos mestres e doutores em universidades (só para constar, levamos em média 35 anos para formá-los), elevamos nossa dívida de 38% para 78% do PIB ao ano, levamos 500 anos para trazer a dívida em 38%, em oito anos eles levaram essa dívida a quase o dobro. O neoliberalismo dilapidou os investimentos brasileiros, não se via uma situação como essa desde a segunda Guerra Mundial.

Isso porque eu não citei a grande Privataria tucana.

O Ex-ministro do governo  Lula, Ciro Gomes

O Ex-ministro do governo Lula, Ciro Gomes

Fontes:

  • Livro – O Capital no séc. XXI
  • Palestra do ex-ministro Ciro Gomes (PSB) em 2013
Advertisements

One thought on “OS TRÊS PILARES QUE LEVARÃO O BRASIL DO FALSO TRUÍSMO A CONQUISTA GLOBAL.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s