CONTINUAÇÃO DO AULÃO DE HISTÓRIA PRA CONTAR QUE NÃO FOI A PRINCESA IZABEL QUE LIBERTOU OS ESCRAVOS

"Na favela, com fome, atrás dos Nike Air Max, os canela cinzenta que não tem nem Cottonets" - Criolo

“Na favela, com fome, atrás dos Nike Air Max, os canela cinzenta que não tem nem Cottonets” – Criolo

PARTE 3

Diversão hoje em dia não podemos nem pensar
Pois até lá nos bailes eles vem nós humilhar
Ficar lá na praça que era tudo tão normal
Agora virou moda a violência no local
Pessoas inocentes que não tem nada haver
Estão perdendo hoje o seu direito de viver
Nunca vi cartão postal que se destaque uma favela
Só vejo paisagem muito linda e muito bela
Quem vai pro exterior da favela sente saudade
O gringo vem aqui e não conhece a realidade
Vai pra zona sul pra conhecer água de côco
E o pobre na favela vive passando sufoco
Trocaram a presidência uma nova esperança
Sofri na tempestade agora eu quero abonança
Povo tem a força, precisa descobrir
Se eles lá não fazem nada faremos tudo daqui”

(Rap da Felicidade, Cidinho e Doca – 1995)

Não estão muito diferentes as situações de vida dentro do morro, o pobre ainda cai que nem um pato no grande conto da meritocracia. A grande realidade é que os novos escravos lutam pelo desejo de alcançar o falso truísmo.

No meu post anterior (clique aqui), iniciei o pensamento já abordado muitas vezes pelo ex-ministro Ciro Gomes: a ideia do “bom, bonito e barato” e como é vendida para a sociedade que não detêm o capital necessário para obtê-la. Esse axioma provoca o que vemos hoje de violência principalmente da favela com o asfalto. O favelado quase nunca assalta seu conterrâneo, quase 2/3 dos assaltos cuja um envolvido seja da favela ou de um bairro pobre acontece não com um morador do mesmo e sim com um turista, por assim dizer.

Os negros que agora eram “livres” se aprisionam novamente num constante processo em busca de obter o que a Casa Grande provia… Iniciava-se a busca pelo mesmo padrão de vida dos patrões. Como o trabalho era desgastante, as leis trabalhistas quase não existiam e a humilhação era enorme, o indivíduo então muitas vezes entrava para a vida do crime usando de propósito a velha lei de Robin Hood “roube dos ricos para dar aos pobres”.

PARTE 4

“[…] um bom lugar
Se constrói com humildade, é bom lembrar
Aqui é o mano Sabotage
Vou seguir sem pilantragem, vou honrar, provar
No Brooklyn, tô sempre ali
Pois vou seguir, com Deus enfim

Não sei qual que é, se me vê dão ré
Trinta cara a pé do piolho vem descendo lá na onde ferve
Diz que black enlouquece breck
Só de arma pesada, inferno em massa
Vem violentando a minha quebrada, basta!
Eu registrei, vim cobrar, sangue bom
Boa ideia quem tem, não vai tirar a ninguém
Meditei, mandando um som com os irmãos da Fundão
Volta ao Canão se os homens vim
Disfarça o grandão […]”
(Um Bom Lugar, Sabotage – 1997)

Temos também o “lado B” de quem foi para a favela, mas esses mesmo assim esbarraram nas dificuldades sociais do grande racismo implícito na sociedade (principalmente branca) e que reinam até hoje. Desse pessoal mais centrado que não sucumbiu diretamente ao crime, vemos crescer o movimento Hip-Hop e um de seus maiores – quiçá o maior – maestros foi o mestre Sabotage (1973-2003) que com sua poesia revolucionou o Rap nacional, mostrando nada além da verdade e do real sonho do favelado, agora escravo do capitalismo, que é de viver bem e decentemente.

No gueto ou dentro dos quilombos (coloque dentro do contexto desejado) os negros se uniam, era uma “pós-fuga”, um recanto onde crescia em suas mentes a utopia de construir um mundo melhor, um bom lugar.

Essa revolução negra que ainda não se concretizou é árdua, pois o argumento da “procura pela felicidade plena” ainda é forte. De muito vemos os resultados que saem dessas comunidades de cultura Hip-Hop. Artistas de várias modalidades expressam seus sentimentos (rap, funk, breake, graffitti, cinema…) com humildade e clareza e conquistam muitas vezes o homem branco – a Casa Grande – de uma maneira a qual eles que influenciam os patrões e não o inverso. Pelas palavras do professor em Sociologia da PUCC,  Roberto Donato o quilombo exercia, também, a utopia a ser alcançada para aqueles que ainda estavam acorrentados, estimulando a luta…”.
O aperfeiçoamento da cultura afro-brasileira está caminhando agora a passos mais largos para total inclusão, apenas estudando e vendo vários pontos de vista poderemos tirar nossas conclusões sobre essa grande e trágica época que temos marcada na história do país.

Por hora penso que é só.

Viva o povo negro!

“Negro, teu samba tem seu sangue
E em toda parte do Brasil o teu suor
Nas caatingas, cerrados e nos mangues
A esperança de um mundo melhor”

(Lamento Negro, Núcleo de Samba Cupinzeiro – 2007)

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s