APROPRIAÇÃO CULTURAL OU MIMIMI?

Muito se defende hodiernamente sobre mitos e verdades a respeito de vários temas do cotidiano, a internet tornou-se um espaço onde o oprimido há de possuir uma voz poderosa a ponto de expor suas ideias e refutar o opressor e seu rio de preconceitos. Uma vez que foi postado algo na rede, inúmeras pessoas poderão ter acesso às suas ideias, linhas de pensamento, aos seus vídeos e textos e claro, às suas bobagens.
A era “Pós-Moderna”, já citada por mim no blog compilou um nicho relativamente grande no Brasil de seguidores, porém mais que progressistas e revolucionários, os pós-modernos estão se mostrando deveras falaciosos e incoerentes, argumentos chulos todos mantidos por um espectro irrefutável, inquebrável, incorruptível: A vivência.
Não importa se você for a pessoa mais sacana da internet, se utilizar essa falácia da vivência, estará isento de críticas. Gostaria de saber o que os pós-modernos acham de tal vivência quando atrelada às falas de Fernando Holiday, sujeitinho meia-boca que já critiquei e muito aqui e na página do Facebook. (leia)
A arte de argumentar não é nada complicada, basta sabermos nos posicionar perante a situação e marcar os pontos que realmente são necessários para com o andamento do debate. Usa-se corriqueiramente numa argumentação: Dados estatísticos, Historiografia, Dados científicos, Relacionamento de idéias condizentes entre outros artifícios. Tudo, claro, sem cair nas mais pífias falácias, que só enrolam e baixam o nível do debate.
Uma comunidade disposta a demonstrar problemas do cotidiano então, deveria ao menos saber esses fatos e assim não escorregar em seus argumentos e dar a oportunidade do próximo de escrachá-las moralmente. É a dica: ESTUDEM!
Não só estudar a arte da argumentação, mas também o tema a ser debatido, então vamos dar um exemplo?
Vi na manhã de hoje um post no Facebook sobre uma página disposta, assim como eu, a explicitar as maiores falácias dos pós-modernos, não para humilhá-los, mas para criticá-los de uma maneira que os levassem a digredir antes de argumentar e, como muito se usa essa expressão, “parar antes que fique feio”.
O post era de uma página denominada “Novas Regras da Internet das Mina”, mas o que eu vi foi na página “Aventuras na Justiça Social”. Duas páginas relativamente novas. O problema em questão é o real tema desse texto: Apropriação cultural. Na foto havia uma mulher loira, branca de cabelos lisos usando um turbante, seu rosto está riscado e com os escritos “Está proibido apropriação cultural”.

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Mas afinal, outras etnias utilizarem turbantes é um ultraje a apropriação cultural? Afinal, apropriação cultural de quem?
A história dos turbantes começa na Índia e no Oriente médio, séculos antes do Islã. É uma expressão cultural mais que religiosa, visto o fato de turbantes serem moderadores da temperatura – que na região é altíssima – corporal e de status. Após a expansão do Islamismo, os turbantes chegaram ao Norte e ao Oeste do continente Africano e ao Sul da Ásia, “viralisando”, por assim dizer, entre os povos dominados pelo Islã. Depois disso, várias outras etnias e culturas africanas começaram a utilizar-se da prática de enfaixar a cabeça, tanto como símbolo sociocultural quanto como religioso. Desde então, os turbantes entraram na “moda”. Quando invadida pelos povos europeus, a cultura do turbante era vista como errada – até porque era de descendência islâmica e os europeus na época eram cristãos – e quem usasse turbante era rigorosamente repreendido pela sociedade. Nos Estados Unidos, os negros escravos que usavam turbante – pelo menos nas primeiras décadas – eram os que mais sofriam, pois os anglicanos queriam sua conversão ao cristianismo. Assim como aqui no Brasil, onde perdurou a escravidão por 3 séculos, os negros começaram a expressar sua cultura há pouco tempo, ainda muito reprimida pelos outros povos.
O que leva xs extremistas a praticar esse tipo de argumentação chula talvez seja a não consciência de que a miscigenação – apesar do racismo – de povos também incluiu adereços de outras culturas numa só: a brasileira. (que na minha opinião ainda está em construção). Então esse pessoal apenas exclui o fato que a história dos turbantes é muito mais antiga que pensam e usam o argumento de uma apropriação cultural dos negros pelos brancos.
Até agora no texto, eu me segurei para não usar falácias, porém esses recorrentes fatos me fazem pensar: Tatuagens, comidas como pastel e macarrão, maquiagem, TUDO isso é apropriação de alguma cultura e não vejo uma árdua luta por essa “não apropriação”. E veja bem, estou me referindo a povos distintos aqui: indigenas, negros, asiáticos, europeus e árabes, basicamente as etnias que mais povoam o mundo hoje em dia.
Acredito ser de uma hipocrisia barata e baixa esse papo de apropriação cultural – nos moldes que está sendo levado – é uma popular “perda de tempo” brigar por um fato que nem verídico é.
A apropriação cultural, por mais que seja por simples estética é favorável ao mundo, gera um maior âmbito de conhecimento, de aceitação da cultura do próximo, devemos apoiar a apropriação conexão cultural! O que deve-se lutar contra é perante ao escárnio cultural, contra aqueles que fazem pouco caso da cultura de outrem, isso sim deve ser combatido.
Paremos de fiscalizar cultura alheia de modo a criar picuinha besta.

[GOSTOU?] Leia mais sobre minhas críticas ao pós-modernismo aqui!

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One thought on “APROPRIAÇÃO CULTURAL OU MIMIMI?

  1. Imagine só o que iria se falar dos atletas de artes marciais (olímpicos, inclusive) do ocidente que usam quimono… Durma-se com um barulho desses….

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