DISCUSSÃO: A LINHA DESASTROSA DA EDUCAÇÃO

Na tarde desse sábado (25) foi realizado em Campinas-SP um debate aberto sobre os rumos que a educação no Brasil tomaram e o porquê da dificuldade de aprovar pautas progressistas no legislativo.

O tema foi cercado nas questões de gênero, assunto que mostra mais explicitamente essa dificuldade contra o conservadorismo. O movimento Responsa liderou o debate, que reuniu aproximadamente 60 pessoas na Estação Cultura, pessoas de todas as idades, gêneros e orientações sexuais presentes, ouvindo e participando. 50SON esteve presente para cobrir e participar do debate.

O Responsa é um movimento criado em 2013 por ex-alunos do COTUCA, escola técnica pública de Campinas. “Nós sempre nos incomodamos por estudarmos numa escola pública que na verdade era ‘de elite’, não havia quase ninguém que tivesse vindo de escola pública ou que não tivesse pago um cursinho caro para passar no vestibulinho”, me contou um dos integrantes. O grupo de alunos que atua em três áreas da cidade: Escola Municapal Maria Pavanatti Fávaro (Ouro Verde – Cláudia), Sinsprev (Centro – Amarildo) e Escola Municipal Odila Maia Rocha Brito (Campo Belo – Eduardo).

O debate começou por volta das 14h, houve uma apresentação formal do cursinho e do tema a ser tratado, vários professores do cursinho expuseram sua visão de como tratar o debate sobre gênero e abriram espaço para fala de outros convidados: homens, mulheres (cis e trans), héteros, homos e bi, todos comentaram um pouco sobre o tema, sempre com uma visão positiva e progressista.

Uma das melhores questões levantadas foi sobre a história do debate de gênero no Brasil, desde 2011 quando a presidenta Dilma vetou o projeto “Escola Sem Homofobia” (famigerado “Kit-Gay”), essa ação, que visava agradar a ala conservadora da Câmara e do Senado, acabou servindo de divisor de águas – negativamente – para as ações afirmativas a respeito do meio LGBT, pois isso deu força às bancadas para denegrir a visibilidade dos LGBTs no país e criar uma onda de medo reacionário que acoou as pessoas que ainda não tinham um posicionamento formado. Mentiras, espantalhos, entre outros argumentos falaciosos ganharam força e agora permeiam câmaras e congressos por todo país. “Dilma vendeu o debate de gênero quando vetou o projeto Escola Sem Homofobia”, afirmou um dos integrantes do movimento, “A partir do momento que ela vetou, deu espaço para os conservadores se manifestarem e criarem força dentro da política, que já era muito conservadora e ficou mais”.

Então como combater o conservadorismo? O que falta aos progressistas para conseguir apoio?

Conversei com Mateus, também fundados do Responsa e tiramos algumas conclusões.
O conservadorismo vem mostrando mais a cara agora, e porque agora? Pois o mundo está mudando e agora “é necessário”. Na realidade são os progressistas que estão crescendo e não os conservadores – por isso são chamados de reacionários -, nós (progressistas) estamos desconstruindo nosso conservadorismo.

Então, como combater esse medo que move o conservadorismo?

É possível, porém não provável, visto que antes não se criava, apenas se mantinha. A sociedade era conservadora por si, por isso dizem que a esquerda é “revolucionária”. Os que hoje estão querendo aprovar leis como a “Emenda da Opressão” nasceram nessa época, nessa sociedade que tinha “tudo nos conformes”, mas nessa sociedade revolucionária sim é possível promover ações afirmativas e que corroborem com os direitos LGBTs. “Nós podemos combater isso, ocupando os espaços aonde é possível implantar esse ‘bichinho da dúvida'”.
A caminhada para a conquista da afirmação de direitos sempre será árdua, por isso é necessário o debate (por essa e outras questões), para que não se apague a chama do desejo de mudança, a sociedade precisa entender, aceitar, compreender todo o arco-íris de pessoas.
Quando dada a vez de fala, usei meu tempo para lembrar àquelas pessoas que somos nós responsáveis por dar o pontapé inicial nas discussões em todos os meios qu frequentamos, não podemos ouvir algo com que não concordamos e ficarmos calados para não passarmos por “estranhos” dentro da escola, família ou outro meio social, nossa omissão os alimenta.

Próximo dia 03 (segunda feira) será votada em quesito “legalidade” a famigerada “Emenda da Opressão” na Câmara de Campinas, mais uma chance de reunião dos movimentos e da população para pressionar os vereadores a não aceitarem uma proposta inconstitucional que visa silenciar um debate, ou seja, cercear o direito de livre manifestação de pensamento.

Compareça e apoie!

transexual_banheiro

VEJA MAIS!

Página do Responsa: oficial / facebook

Mais sobre o debate de gênero: Carta aberta a campos filho / Uma aula de biologia à Luana Basto / Emenda da Opressão / Ser Gay virou Modinha? / Debater ou Omitir? (uma visão do vereador Gustavo Petta e do sociólogo Roberto Donato)

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