FEMINISTA OU ADEPTO?

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Muito se lê na internet hodiernamente sobre o feminismo. Mentiras, verdades, falácias, divergências. Todos sempre tem uma opinião para dar. Alguns sobre a ideologia, outros sobre o movimento e outros que não sabem diferir um do outro (sendo esses da pior espécie).
Sempre me pergunto “porquê ser contra uma ideologia que pede igualdade entre gêneros?”
Mais tarde, me pego pensando com meus botões “Porquê tantos são contra o feminismo? Seria medo, receio, aversão à quê? A perder seus privilégios ou a pensar que não existe esse papo de opressão?”
O mesmo acontece para muitos outros movimentos sociais extremamente necessários e a conclusão que eu sempre chego sobre todos eles é: Tem culpado nos dois lados.
Primeiro, aqueles adeptos ao movimento que se abstêm de organizar uma militância capaz de imprimir no psicológico do povão a importância de sua luta. Do outro lado, os que lutam com toda sua ignorância contra algo que só se esboça perante seu estereótipo mais cruel. E assim caminha a sociedade para uma guerra de egos sem fim.
Cresci em família conservadora, porém posso dizer que a santíssima parte liberal dela conseguiu me dar aval e apoio a pesquisar e fazer as perguntas necessárias para que eu não me tornasse mais um qualquer dentro daquilo que escrevo (posso ser pequeno, mas dificilmente me rebaixo ao senso comum para expor minha opinião, essa sempre baseada em fatos e no que aprendi, nunca da boca para fora). Uma das minhas primeiras indagações foi uma vez que perguntei por que raios “Com Deus não se brinca?” e recebi duas respostas formidáveis. A primeira, oriunda da minha vózinha, ressaltava a benevolência e importância do Senhor e que por isso só os cristãos de verdade poderiam dizer o nome de Deus, outros o fariam sem fé e por isso, desagradariam Deus. A segunda, de um colega meu que me disse “A mesma liberdade que os cristãos tiveram para criar Deus (ele é ateu), temos nós para subjulgá-lo, MAS sempre utilizando a lógica e nunca sendo prepotentes”. Ou seja, aprendi que “dar pitaco” incomoda o establishment independente do quê estamos discutindo, ainda mais quando essa opinião é forte e embasada, não é qualquer ideia maluca de um zé ninguém.
Isso me fez ter a curiosidade e a ousadia de procurar o porque de feministas dizerem que “não existe homem feminista”.
Minha primeira pergunta, logo de cara foi: Mas o feminismo antes de mais nada é uma ideologia que propõe igualdade entre gêneros. Logo, porquê então essa ideologia seria fechada a um determinado gênero?
Fui mais afundo e percebi que não era tão preto no branco assim, li inúmeros textos, os quais considero bons, ruins, mas sempre informativos, e percebi que a pauta em si está no movimento, está na representatividade. Mas espere! Cairemos então naquela velha e obsoleta questão dos céticos que sabem dividir pensamento e movimento e dos que não sabem e só promovem o desserviço?
Estudei mais um pouco e, perguntando dentro do meu nicho de homens – principalmente aos heterossexuais -, percebi que os que achavam o feminismo uma luta justa eram contidos quando perguntados se ele apoiava na prática, aqueles que não concordavam com a luta tinham um discurso parecido: achavam a luta justa, porém não viam ali um desejo de igualdade entre gêneros. Eu não os tiro a razão.
“Como assim, seu esquerdomacho?!” Simples, arrancar deliberadamente o homem do seu altar de soberano e quebrar essa espinha do patriarcado exige tempo e esforço colossal e isso não está sendo levado em consideração. O baque nessa primeira década dos anos 2000 foi tão forte que está gerando mais machistas do que feministas (tanto em ideologia quanto adeptos ao movimento), isso é, está dando prejuízo. Comparo também o movimento aos Estados Unidos. Como assim? Respondo, IMEDIATISTA. E imediatismo nunca deu certo. “A pressa é inimiga da perfeição”, lembra? Sempre imaginei a revolução no melhor estilo Gramsci. Aos poucos, trabalhando o mais importante do povo, seu pensamento de massa e seu senso comum. É quase impossível mudar o senso comum de um povo com uma atitude imediatista. Vide a ditadura militar aqui no Brasil, o povo não era pró-Militares, o povo temia os militares e ser temido, por mais que Maquiavel discorde em partes, não é melhor que ser amado.
A pressão inversa que faz o movimento feminista é louvável, mas de fora, observando bem seu modus operandi, cheguei na triste conclusão de que não vai dar certo.
“Se não for pra ajudar, omi, também não atrapalha as mina!”. Ora, se for para ter esse pensamento, precisaremos conversar um pouco mais sobre revoluções bem sucedidas ao redor do mundo, colega.
As feministas (e os “feministos”) parece que esqueceram que o senso comum não gosta de suas ideias, que o senso comum é machista e assim permanecerá, não serão manifestações constantes que mudarão esse fato, será a luta intelectual. Essa, por sinal, toda sociedade machista faz e muito bem. É muito fácil convencer que essa baboseira de igualdade entre gêneros é uma merda, agora, convencer que é importante a igualdade entre gêneros para que não haja opressão é um trabalho muito mais árduo e necessita sim de uma batalha intelectual para retirar o ser humano de sua zona de conforto.
Bater na tecla do homem ser feminista ou não não ajuda em nada, pois sem a mudança do intelecto masculino, mostrando que o homem é um dos maiores vetores da opressão, será dar murro em ponta de faca. Nós, homens, já detemos a pressão intelectual do machismo, afirmar isso e escorraçar os homens só fará com que esse pensamento machista e misógeno se espalhe mais e mais rápido, podendo até perder uma peça-chave importantíssima dentro da luta: o convencimento. Como assim? Ora, por experiência própria, vemos que é muito difícil uma mulher convencer os homens de que o machismo que eles exercem sob os outros é uma das piores formas de opressão, eles não dão ouvidos e ainda te mandam ir lavar umas louças. Agora, e se é aquele homem que já está no meio e os convence do que eles estão fazendo é errado? (troque “machismo” por “racismo”, “homens e mulheres” por “negros e brancos” e entenderá a situação)

A mudança do intelecto da sociedade depende de uma luta em conjunto e principalmente da perpetuação da ideologia feminista em si. Não saímos com vocês para as reuniões ou entramos em seus chats privados ou grupos de facebook, esse não é o real propósito do homem dentro do feminismo (luta), o papel é de levar a palavra a quem sabemos historicamente que nunca aceitarão ouvi-la de uma mulher.

Não dá mais para bancar o cristão que não aceita ninguém a não ser ele deter o monopólio do cosplay de Jesus Cristo. Revoluções assim são fadadas ao fracasso.
Parafraseando Gramsci, “O desafio da modernidade é viver sem ilusões, sem tornar-se desiludido”.

Deixo também a vocês, leitores, um artigo do The NY Times que perguntou a vários Novaiorquinos se eles se consideram feministas ou não. Veja suas respostas, ajudará na interpretação do texto acima. CLIQUE AQUI (artigo em inglês)

Também agradeço a você, mulher feminista engajada que leu até aqui meus pensamentos e se despiu de preconceitos para entender a importância de como se fazer a revolução. Hasta la victoria siempre!

Obrigado também a você que vem acompanhando o canal e a página no facebook (clique aqui) 😉

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