inFORMATION

Antes de terminar – ou começar – de ler esse artigo, caso você não tenha visto ainda o clipe “Formation” de Beyoncé, sugiro clicar aqui.
Há anos vemos o cenário pop recheado de diferentes etnias, porém ainda a cultura branca sempre supervalorizada de forma que apagasse as outras culturas. E veja, só, não estou aqui desmerecendo nenhuma, só apontando a disparidade que existe entre elas. Em seguida, podemos dizer que a cultura negra possui seu espaço cravado e depois temos os latinos e asiáticos.
A musica pop norte americana vem se mostrado eclética culturalmente dentro de seu próprio eixo e por conseguinte, versátil, o mais interessante é que os cantores de musica pop – em maioria mulheres – estão absorvendo isso de forma rápida, diferentemente do que se era pensado para um país com um histórico tão racista e xenófobo como os Estados Unidos.
Beyoncé é a prova disso, é a prova de que com sangue, suor e lágrimas foi possível hoje dar espaço aos negros no universo pop e o mais interessante: sem deixar de lado suas raízes.
Formation, a nova musica da cantora, é a prova de que é possível se fazer justiça social dentro do universo da Casa Grande, Beyoncé utiliza de vários eventos envolvendo a população negra dos Estados Unidos para montar um grito de liberdade em seu novo hit, que já ultrapassou os 20 milhões de views em menos de três dias.
Socialmente essa música já entrou para uma das melhores do ano de 2016 e, junto com o clipe, para uma das peças mais importantes dentro da luta por visibilidade negra no país. Beyoncé e seus produtores construíram um trabalho de dar inveja e uma verdadeira aula de como protestar sendo sutil. Alguns pontos que você talvez não tenha notado em seu clipe:

– Há no inicio e no fim um sample da voz de Messy Mya, um negro morto vítima de racismo;

– o vídeo faz referências a vários eventos históricos que prejudicaram a comunidade negra,  como a escravidão, a segregação, as lutas sociais e o mais recente, o furacão Katrina, que atingiu a cidade de New Orleans (onde o clipe é rodado);

– Blue Ivy, filha da cantora com o rapper Jay Z, aparece no clipe com mais duas crianças, elas dançam enquanto Beyoncé canta “I like my baby hair, with baby hair and afros” (“eu gosto do cabelo do meu bebê assim, bem afro” numa tradução não muito literal), numa resposta à petição que rolava na internet sobre ela não alisar o cabelo da menina, que até então, nunca tinha sido tão exposta.

– no vídeo, está pichado no muro “parem de atirar em nós”, referência clara à luta da comunidade negra pela vida dos jovens que são baleados quase todos os dias no país.

Além das mensagens acima, há também no vídeo um chamado muito alto pelo empoderamento da mulher, especialmente da mulher negra – visto que só tem negros no clipe – e uma ode a dança black.

Beyoncé uniu o melhor de todos os ativismos dentro de cinco minutos que valem a pena serem vistos e revistos. Formation não é só uma musica, é um arauto de empoderamento negro, feminino e a consolidação de uma música que pode ficar na história como aquela que extraiu de nós nossas maiores sensações perante tamanha grandiosidade musical que possui essa cantora. Tudo, absolutamente tudo foi escolhido por Beyoncé e seus produtores a dedo para serem postos como elementos do clipe.

Formidável, fabuloso!

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