QUAL O PROBLEMA? ELA SÓ ESTAVA TRABALHANDO!

Tecnicamente gostaria de dar a esse texto o título “O surto do emburrecimento coletivo”, mas achei que não teria a adesão necessária perante a imagem e à sociedade brasileira que, hodiernamente, vive uma fase de querer tudo mastigado para não se dar ao trabalho de pensar.

Tudo começou com uma charge feita há aproximadamente um mês, nela – como podemos ver abaixo – uma mulher vestida “padrão manifestações do fora Dilma” andava em direção ao protesto enquanto atrás, empurrando o carrinho com o filho ia uma empregada negra vestida de uniforme. A reflexão que essa charge buscava mostrar ia muito além do relacionamento patrão-empregado explícito na imagem, ela mexia com uma outra ferida que a Elite Branca (leia: A Elite Branca Brasileira. para entender o termo) se nega a discutir desde a criação da Casa Grande na sociedade. O fator principal que mais irrita a Elite Branca é que aqueles fora da Casa Grande, ou mesmo de dentro, mas com um pensamento social mais apurado, entendem como associar mais facilmente as intenções dessa Elite.

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Então, nessas manifestações que aconteceram Brasil afora no domingo, novamente pedindo o impeachment da presidenta Dilma, um fotógrafo conseguiu o feito de provar que muitas vezes a vida imita a arte. A imagem circulou rapidamente pela internet causando um alvoroço e sendo uma das imagens mais compartilhadas em um só dia em páginas sobre política no facebook. Nela podemos ver um casal vestido de verde e amarelo caminhando em direção a manifestação enquanto atrás vemos a babá de uniforme levando um carrinho de gêmeos, ambos também de verde e amarelo.

A direita se defendeu: “Mas ela estava só trabalhando!” “melhor estar trabalhando do que vagabundeando!”.

O Homem na foto, um grande empresário carioca de classe alta também lançou uma nota em seu perfil: “Emprego centenas de pessoas e as pago bem, com um trabalho digno. […] Melhor isso do que ser sustentado pelo governo”.

A própria (suposta) babá da foto chegou a entrar no caso, via facebook comentando que aquele emprego era algo de que ela gostava e que também era a favor do impeachment.

Isso então me deixou pensando “mas por que nós da esquerda vimos tanto ultraje nessa imagem? Será que a luta de classes corre em nossas veias de uma maneira que não conseguimos mais distingui-la de casos isolados? Será que queremos atacar a todo custo a direita reacionária?” Foram horas de reflexão até que eu disse aos meus botões: Não!

Pois bem, se não, o que então me chocou tanto numa simples foto de patrão-empregado, coisa que eu já vi de monte na internet e em situações muito mais humilhantes que essa da foto? Não é simples, mas é uma linha de raciocínio interessante:

Não foi o fato de na foto estar estampada a luta de classes no nosso país que me deixou indignado, foi o fato da exposição clara de como funciona o pensamento da Elite Branca!
Ora, se tudo que se indica for real e a babá estava mesmo lá porque acreditava que o impeachment era a melhor opção, porque então ela não foi a caráter? Sim, leitor, por que dentro do mundo da Elite há a separação de classes também.

(para ler daqui para frente é necessário ter entendido muito bem minha teoria sobre a Elite Branca)

Você pode ser da Elite Branca, agir como a Elite Branca, compactuar e conchavar com a Elite Branca, mas de elite você nunca será, o parafuso de piração de um pobre de direita chega numa fase em que ele já fez todo o “tutorial” de ser da Elite Branca, só lhe faltam duas coisas “simples”: possuir capital e a propriedade privada dos meios de produção. Tendo isso, ele vira uma pessoa da elite brasileira.

O que vimos na foto vai além de um grupo de pessoas protestando por um ideal em comum, observamos que o maucaratismo da Elite Branca vela o ódio de classes. Aquela empregada poderá pensar igual aos patrões, mas nunca será a patroa.

Me recordo de um filme brasileiro fabuloso, lançado recentemente que é “Que horas ela volta?”. Nele, a empegada Val recebe a filha Jéssica na casa dos patrões para a menina fazer o vestibular da fuvest. Durante toda a trama, Val mostra para Jéssica tudo o que aprendeu com os patrões, mas sempre ressalta que a empregada tem seus afazeres, por exemplo: ouvir a famosa frase “você é como se fosse da família”, mas não senta a mesa com os patrões na hora do jantar. Val é a representação da ingenuidade que infelizmente fez boa parte do proletariado sucumbir à Casa Grande. Lembro-me de uma frase cujo autor eu encontrei vários na internet por isso não sei ao certo que disse antes:

“Libertei mil escravos.
Teria libertado outros mil se eles soubessem que eram escravos”.

Enquanto brancos estão nas ruas pedindo por um país melhor, mas levando um dos símbolos mais crueis do atraso junto com eles não há avanço, há sim a prova de que o pensamento hegemônico quer se perpetuar. E enquanto tivermos oprimidos do lado dos opressores a sociedade continuará nessa espiral desgastante de lutas e mais lutas sociais, de modo que corrompe o movimento e causa as rixas desejadas pela Casa Grande.
É com essa reflexão que eu encerro o artigo. Pense em cada fato que você cotidianamente e faça um pequeno brainstorm consigo mesmo até entender os fatos que levaram aquela ação. Sim, essa foto é o retrato mais factual de como funciona a Elite Branca e de como a Casa Grande se manifesta perante a Senzala.

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Não irei comentar no blog sobre as manifestações, acompanhe no facebook (clicando aqui) o meu resumo de domingo.

 

 

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