A ASCENÇÃO DA IGNORÂNCIA

E o golpe aconteceu, fiquei essas semanas matutando com meus botões trezentas-e-lá-vai-cacetada vezes como iria arquitetar meu artigo de opinião sobre o assunto – até porque não costumava deixar passar em branco um episódio tão brusco como esse no blog fazia muito tempo – e como levaria essa opinião para a casa do meu ínfimo grupo de leitores assíduos que, pressuponho que assim como eu, estão até agora perplexos. Logo então decidi por minha cabeça no lugar, acalmar os ânimos e conversar com meus colegas e ajudantes da página a melhor maneira de, não informar-lhes até porque já se passou um certo tempo, mas, expressar um ponto de vista que difere um pouco da mesmice dos jornalões.
Penso até em começar pelos famigerados, por que não? Me aproprio da frase do sr. Massimo D’Alema, ex-primeiro-ministro da Itália, que diz: “Eu olho para os jornais brasileiros e vejo apenas uma incessante propaganda, sem qualquer tipo de ética profissional”. Os arquitetos do golpe, as forças das Elites que nós não vimos estampando a cara do movimento #ForaDilma, venceram uma etapa importante de emburrecimento da sociedade. A classe média abastada e lotada de “isentões” não consegue nem mais levar seu discurso asqueroso de “é só desligar a TV e fingir que nada acontece” para frente, visto que seus lacaios são sedentos por notícias sensacionalistas e imundices ideológicas propagadas por ambos os lados, mas explícitas e completas de maucaratismo dentro do PIG.
É incoerente acreditar que você consegue se isentar de um problema que atinge a todos de um modo tão ativo que me lembra um pouco os surtos de dengue (como se não fosse problema seu só porque no seu condomínio as pessoas não deixam água parada). Essa parcela da elite e da classe média compõe um pessoal deveras culto, porém prefere a ignorância ao assunto, acreditando que os três poderes corrompidos de nossa democracia ainda têm algum valor. Lhes digo: olhe para a imagem abaixo do texto e responda-me se é possível confiar nos guardiões da Constituição. Nunca senti um desgosto tão grande como eu sinto de quem, por vontade própria, ousa dizer que dando tempo ao tempo a lei irá se cumprir (bem que eu queria, caros, mas não é assim que a banda toca). Deploráveis suas atitudes.
Se os notórios “isentões” possuem uma parcela grande de culpa pelo emburrecimento da sociedade, a outra parcela vem é claro de todo àquele imbecil coletivo que consome os meios de comunicação do PIG, alguns na maior inocência outros na maior cara de pau. Me recordo de uma conversa que tive com dois colegas na faculdade, onde, com um enorme desgosto no falar, me referia aos jornais e revistas do PIG: “São nojentos! Mau escritos, mau estruturados, editoriais de baixo nível, posso até afirmar que a parte menos pior são as colunas, até mesmo dos analfabetos políticos… céus, como são feios nossos jornais!”. Quem os lê e porquê os lê? Ora, até uma real democratização da mídia esse é o único modo do povão estar minimamente informado sobre os três pilares dos assuntos no Brasil: Política, Futebol e Religião. Sim, esses três, pois para Economia e descoberta científica ninguém mais liga… infelizmente.
Porém, o processo de emburrecimento não para por aí, existem fatores mais intrínsecos do que somente os externos ao proprio ser que o deixarão a mercê dos líderes das elites, caso contrário o fraco argumentos dos “isentões” faria todo o sentido. Existe um fator necessariamente pessoal de cada um que é sua capacidade cognitiva de separar as ideias, isto é, independente de uma classe intelectual, cada um possui um discernimento sobre aquilo que lhe é enfiado goela abaixo. Infelizmente vemos grupos a mercê desse método a todo momento. Entenda-me que não devemos culpá-los, necessariamente, visto que mesmo sendo algo pessoal, há uma enorme pressão social para tal grupo e, como um movimento condicionado, seu aprendizado (seja ele de qualidade ou não) é o que vai formar sua capacidade de entender e discernir o que está absorvendo de informações. Com esse grupo é necessários termos muito cuidado, até porque nós, providos desta capacidade não podemos bancar os superiores, visto a fragilidade ética do grupo em questão. O mais importante ao meu ver é ensinar as regras da democracia para tal grupo, perante o mantra supremo de um debate ideológico: “Eu não quero que pense como eu, só quero que pense”.
O processo de emburrecimento brasileiro é muito mais complexo do que apenas os elementos supracitados, porém estes são os essenciais e os que diferem um politizado de um analfabeto político. As informações brutas não existem mais em nossa mídia – e quando aparecem de relance, são sempre acompanhadas por uma opinião do jornalista ou repórter que as apresenta. O que se deve fazer é ponderar de modo racional, à medida que a ignorância do senso comum se diminua e ele se torne mais crítico. José Eduardo Cardozo, advogado da presidenta Dilma no processo de Impeachment já dizia “A prática de leitura no nosso país não é incentivada”, entenda “ler” como um exercício de conhecimento e de aprimoração do discernimento de conteúdos, isto é, uma atividade de destrinchar os textos que você tem em mãos. Desafio o leitor a destrinchar as palavras deste que vos escreve, uma leitura mais atenta dos textos fará que sua capacidade cognitiva melhore de maneira exuberante, não obstante, ainda condiciona sua atenção a um nível superior e partes que antes eram despercebidas passam a ser peças importantes para a compreensão de textos. A desonestidade intelectual é uma escolha. Apagar o sentido original das palavras é um excelente meio de dominar as massas, por isso, cuidado ao se referir à democracia, principalmente, palavra essa que foi estuprada durante anos e hodiernamente acreditam os tolos que o que está ocorrendo no país é um processo democrático. Democracia é estar de acordo com as regras da discordância e não de acordo com os conteúdos.

stf-ministros-cunha
“Se permita a aprender, criatura!”, seria com certeza o auge de minha ópera-buffa, cuja personagem incrementaria ares de superior, mas sem deslegitimizar a outra… devaneios.

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