VOCÊ MERECE SER GAY?

“Não aceitamos vitimismo! Fora esquerda e esquerdistas, hipocrisias e hipócritas!
Quanto mais opressores melhor!” – diz a apresentação de uma página do Facebook chamada “Gay de direita, gay direito”.

Meu intuito não é realizar a velha dicotomia esquerda-direita, tratando com desdém aqueles que não estão de acordo com meus pensamentos políticos, sejam essas pessoas intransigentes ou não. A razão para estar tentando provocar essa digressão é justamente saber se há uma resposta válida para a pergunta do título do texto. Como não me sinto apto a falar sobre todo o universo LGBT, irei me ater apenas ao “G”, isto é, aos homossexuais masculinos.

Não seria de hoje que o Brasil está repleto de pensamentos esquizofrênicos sobre os direitos humanos, qualquer pessoa sensata reconhece que direitos humanos transcendem direita ou esquerda e seus relances, visto que estamos falando dos direitos dos cidadão, seja você quem for.

Não posso afirmar que seja uma regra, porém a exceção confirma isso: a maioria dos gays possuem um perfil progressista. Ser gay e conservador no Brasil não é comum, existem sim algumas figuras famosas tanto na política como na internet, como Clodovil e Smith Hays, respectivamente, por exemplo.

Esse leque todo de oportunidades que um gay tem para escolher (aonde se filiar, que ideologia seguir, em que se engajar, utilizar ou não o fato de ser homossexual) é o que vem se abrindo e isso seria muito bom, primoroso mesmo, se não fosse a hipocrisia de deixar de lado a luta pelos direitos humanos.

Mas como assim, abandonar a luta?

Isso ocorre quando um gay começa a renegar seu status social de minoria e tratar outras minorias com desdém (LB e Ts, negros, pobres, indígenas, mulheres, etc). Reproduzir a cultura machista, serem transfóbicos, racistas, bifóbicos, tratar pobres com desdém e elitismo, essas coisas.

Sendo bem honesto com você, posso lhe afirmar que dentro – pelo menos – do meio LGBT o “G” é aquela pessoa que ao mesmo tempo possui a maior visibilidade (não é a toa que quando você fala “casal homossexual” vem logo a imagem de dois homens, ou quando falamos em “parada LGBT”, muitos a chamam de “Parada Gay” ou quando perguntamos a alguém por que é tão difícil aceitar um casal LGBT, essa pessoa normalmente responde “como vou explicar ao meu filho dois homens se beijando”), tanto negativa quanto positivamente.

Portanto, caro colega gay, você deveria se esforçar para ser o exemplo a essa sociedade, não é mesmo? Ao invés de rebaixar seus iguais ou seus diferentes, tratando-os com desigualdade, seja para estabelecer uma supremacia ou para tratar com desdém este seu papel importante nessa sociedade que se criou.

Nada melhor do que um exemplo, não acha? Vou utilizar a velha dicotomia para exemplificar melhor toda essa crítica que faço aos gays que se encontram no direito de brincarem de opressor só para se diferenciar do esteriótipo de que “todo gay é de esquerda”. Clóvis Smith Hays é um arquiteto de 28 anos (se não me engano) que se tornou famoso após dirigir muitos de seus vídeos ao deputado do PSC, Jair Bolsonaro (famoso por suas declarações racistas, machistas e homofóbicas). Hays se declara um “gay de direita”, ele é abertamente conservador e anticomunista e flerta com políticos e pessoas midiáticas dessa vertente (Luana Basto, já citada no meu blog, por exemplo).

Até aí tudo bem, ora, todos temos o direito de escolhermos a linha ideológica que acharmos mais interessante, porém algo que difere Hays de mim, por exemplo, é essa incessante tentativa falaciosa de utilizar o “ser gay” contra todo o resto da comunidade LGBT, tratando esse meio com desdém a ponto de reafirmar em seu discurso a falsa dicotomia entre o ser LGBT e o participar do movimento LGBT.

Esse efeito cria uma sequela em muitos que caminham por esse vale (bem diferente do famigerado vale dos homossexuais, risos), pois sustentar uma linha de raciocínio de forma torpe e intransigente irá gerar, se caso ainda não gerou no gay uma pergunta: “eu mereço ser gay?”

Você! Você merece ser gay?

O que é merecer ser gay? É merecer carregar consigo todos os atributos supracitados, é saber que você possui um papel político-social importantíssimo com as minorias, devido sua visibilidade dentro e fora do meio, é saber que você não é maior nem menor que ninguém por ser quem você é, mas também é saber utilizar em prol dos direitos humanos a sua supremacia institucionalmente cultivada, é entender tudo isso e mesmo assim ser humilde, saber que vai falhar com as trans, com os trans, com as mulheres (hétero, bi ou lésbicas) e quando falhar pedir desculpas, aprender com o erro, é entender que o vale dos homossexuais não existe sem você, mas que ele não existe apenas para você.

Isso é o que falta a muitos gays… Isso e claro, amor. Amar independente de orientação política, classe social ou gênero. Muitos já não nos respeitam, porque criar essa batalha interna. A comunidade LGBT deve estar unida para combater as opressões sofridas pela comunidade, não é uma guerra de egos muito menos uma disputa de sofrêcias.

CcCWss9W4AArWsH

 

 

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