EM DIA DE ELEIÇÃO TEM FERIADO SUSPEITO

13912759_1762041044034054_1602249000100368075_n

Já discorri sobre muitas hipocrisias e mazelas da sociedade brasileira em meus textos, são figuras publicas que, aqui e ali, demonstram uma série de ações dissimuladas e possuem uma certa blindagem, pois seus argumentos deveras intransigentes e falaciosos se espalham como o vírus Influenza no séc. XIX, podendo talvez serem mais fatais que o próprio vírus aqui utilizado de exemplo.

O país vive hoje problemas sérios, principalmente em nossa democracia frágil, abatida pelo golpe e esporrada por esses marginais. Começamos a criar imagens perigosas de salvadores da pátria, de messias, de bastiões… Não é atoa que hodiernamente veneramos com muito mais ardor Moros, Bolsonaros, Olavos na direita, ou Lulas, Genros, Willys na esquerda. Se apenas há democracia quando há o acordo entre as regras da discordância e a discordância dos conteúdos, sinto lhes dizer, mas o que temos hoje passa longe de uma democracia.

Nos é necessário relembrar um pouco dos últimos acontecimentos na política nacional para entendermos como e por que essas eleições podem ser as mais desastrosas de uma década e meia…

Após a eleição de Dilma em 2014 e do congresso mais conservador desde 1964 (cinquenta anos depois), uma onda que dividiu o país emergiu de seu longo sono de quase duas décadas. Alguns cientistas políticos afirmam não existir quaisquer coligação de um acordo que vinha a ser cumprido em 2014 e outros que o impeachment é um antigo plano que teve de ser adiado, pois atacar a supremacia de Lula não seria uma jogada inteligente da direita, a ideia era atacar quando o PT já estivesse totalmente entregue ao PMDB e com uma liderança fraca no executivo, Dilma foi a peça escolhida.

Para a crucificação do PT seria necessário agitar o povo, mas quem faria isso? A oposição propriamente dita? Os também corruptos tucanos? Não, todo um bem arquitetado conjunto de “novas caras”, com alguns peões e peças principais do tabuleiro, um jogo de xadrez muito bem jogado, por sinal (até agora). Era preciso encontrar um álibi, cunhou que Cunha foi o escolhido para a missão de estar a frente desse impeachment e depois descartado, para “servir de exemplo”. Mas também eram precisas forças que dialogassem com o povão, pois não é só da ideologia da classe média que vive a politicagem, o senso comum precisava ser abalado e foi aí que a imagem do MBL se tornou importante. Garotos, como esse autor que lhe escreve, de dezenove, vinte, vinte e dois anos de idade, que começaram a faculdade agora (ou a abandonaram, pois “sabiam mais que o professor”) precisavam ser as faces dessa nova onda reacionária. Mentalizei comigo por algum tempo que se Albert O. Hirschman estivesse vivo, faria uma reedição de seu livro A Retórica da Intransigência com alguns adendos de uma terceira onda que concluiria e exemplificaria ainda mais suas três teses (perversidade, futilidade e ameaça)… Se no século XVIII ele as aplica na revolução francesa, no XIX no sufrágio universal e no XX no welfare state, poderia muito bem aplicá-las no XXI ao processo de golpe no Brasil e demonstrar como ambos extremos de nossa política estupram nossa democracia, porém se me permitem (e se permitam) dizer: a direita ganha essa disputa de lavada. Logo, esses rostos juvenis foram os grandes percursores, via internet principalmente, dos movimentos e protestos que ocorreram e vêm ocorrendo no país desde 2014, protestos que se diziam “apartidários”, protestos “do povo de bem”, que reuniam tanto a direita liberal (MBL) quanto a direita conservadora (eleitores do Bolsonaro, por exemplo) no mesmo metro quadrado por uma causa: Fora PT!

A mídia dentro dessa minha digressão aqui nem precisa ser citada, pois é óbvia sua participação no golpe, porém a mídia pelo menos é honesta a certo ponto, já esses jovenzinhos…

Juro para você, leitor, de pés juntos, eu sabia desde o início do MBL que membros do movimento se candidatariam para cadeiras do legislativo em 2016, estava mais que claro. Me assusta o espanto de muitos da esquerda (ou mesmo da direita) que pensavam diferente, isso era quase como um jogo de cartas marcadas.

Para retratar bem essa crescente ascensão para transformar essas figuras “apartidárias” em membros do Hall da Hipocrisia da Política Nacional, vou usar o caso do nosso famigerado Stephen Brasileiro, também conhecido como Fernando Feriado, ou Holiday, para os íntimos.

Fernando Holiday, não uma, não duas vezes já citado nesse blog (e lhes garanto, em nenhuma para elogiar sua figura patética) lançou ontem sua candidatura a vereador na cidade de São Paulo (ou Tucanistão, se preferir) numa não surpreendente coligação PSDB-DEM. Essa notícia chegou para mim na manhã da quarta feira (18), enquanto dava umas boas risadas de pessoas patéticas que serão candidatas esse ano em várias partes do Brasil, de São Paulo a Paranapuã, os candidatos paulistas me assustam! Mas no caso de Fernando eu simplesmente olhei o post no Facebook e soltei um curto “I KNEW IT!”, pois a gente pode errar nas contas de matemática, mas não erra na lógica da política nacional, mais previsível do que o próprio golpe.

“Fernandinho então vai se candidatar pelo DEM”, pensei. Poxa, logo ele que sempre exprimiu-se contra a corrupção se afiliando a um dos partidos mais corruptos de todo o Brasil. logo ele, negro, gay, se afiliando a um partido que nunca votou por maioria por uma pauta desses dois movimentos sociais na Câmara. Ora, o que esse garoto está fazendo no DEM?!  [Caso tiver uma boa imaginação de um homem negro com descendência de italianos indignado, vocês estão agora me imaginando essa tarde, repetindo compulsoriamente a frase: “O DEM, bicho?! O D-E-M?!”] Muitas respostas sobre essa minha divagação depois passaram pela minha cabeça, mas a mais plausível com certeza é: O nível de sandice da Elite Branca e de uma outra boa maioria da classe média paulistana está tão alto que se Holiday tivesse se filiado ao PSC de Feliciano “o estuprador” e Bolsonaro ~insira algum adjetivo dos milhares que possam ser dados a esse verme aqui~, não faria diferença alguma, o que importa é sua campanha. Bom mesmo saiu Dória (PSDB) na jogada, pois terá um dos líderes da hashtag fora Dilma fazendo campanha para ele. A meta? Tirar Haddad da prefeitura e competir as cadeiras da Câmara com Suplicy. O Tucanistão sempre tem uma carta na manga.

Brincadeiras e analogias à parte, é muito preocupante mesmo o estado de transe que vive a sociedade paulistana, pois os que não enxergam o tamanho da hipocrisia que é a candidatura de Holiday são aqueles que talvez façam o trabalho sujo de dar-lhe uma cadeira na casa do povo, ajudando mais um pouco a trazer à política o reacionarismo, os discursos intransigentes e a politicagem que deveria ser obsoleta nesse país, de volta à tona, com tudo e apagar todo o rastro de tentativas progressistas de melhorar nossa situação.

Não voto na cidade de São Paulo, mas pode ter certeza que em minha cidade algum membro do MBL tentará uma “boquinha”… Mentes vazias não faltam para dar-lhes alguns votos e, com certeza, se arrependerão como se arrependerão de ter ido com Fernando Holiday e companhia às ruas pedir o impeachment.

Advertisements

One thought on “EM DIA DE ELEIÇÃO TEM FERIADO SUSPEITO

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s