AQUARIUS E O CRIME CONTRA O CINEMA BRASILEIRO

This week I went down to watch “Aquarius” on theaters. But unfortunately not in the way I’d expected. That came because – unfortunately, again – has been committed a crime again in brazilian cinemas. The crime to deny our own movies.

Cette semaine je suis descendu pour regarder “Aquarius” sur le cinéma. Mais malheureusement pas dans la façon dont je l’avais prévu. Qui est venu parce que – malheureusement, encore une fois – a été commis à nouveau un crime dans les cinémas bresilien. Le crime de nier nos propres films.

Piadas a parte, realmente, essa semana planejava assistir ao filme Aquarius e realizar uma rápida resenha e crítica sobre o filme, do meu jeito, bem amador mesmo, porém os recentes acontecimentos de certa forma me forçaram a fazer uma crítica não a Aquarius e sim aos responsáveis maiores pela divulgação em massa do cinema no Brasil. As empresas responsáveis pelas grandes redes de salas de cinema possuem sua – grande – parcela de culpa dentro do assassinato contínuo que se faz ao cinema nacional, um impetuoso processo de emburrecimento de uma parcela da sociedade privilegiada que pode ir aos cinemas assistir um filme, lastimável. Esse texto se vale mais como uma crítica do que como um desabafo, tentarei.

Como amante da sétima arte, me dói o peito os cinemas brasileiros (as salas, digo), não por serem precárias, muito pelo contrário, por serem tão elitizadas que acreditam que passar um filme nacional para seu público pagante é algo inadmissível.

Dirão os iludidos neoliberais “mas é o cliente quem manda, se ele quer ver o desenho animado da Disney ou o Blockbuster dos heróis da Marvel, ou o dono do cinema passa esses filmes, ou ele não tem lucro”, isto é, a velha “lei da oferta e da procura”. Porém, deixem-me lhes atualizar um pouco sobre este que é reproduzido quase como um mantra por essas pessoas: Como haverá demanda por um produto sendo que ele nem é divulgado?

O cinema nacional é pobre perto dos grandes sucessos hollywoodianos – e não digo que são todos ruins, porém e percebível por muitos cinéfilos que nós brasileiros só assistimos o pedaço rico do lixo norte americano; Simples, você se lembra de quantas semanas Spotlight, filme vencedor do último Ocar, ficou nos cinemas? E o mais recente Avengers? Ou mesmo um filme considerado ruim até pelos fãs como Suicide Squad? -, porém demonstra uma evolução e uma capacidade que dá de 10 a zero em inúmeras (mesmo) produções da terra do Tio Sam. A destreza que o cinema brasileiro possui ao contar histórias se vale de seus quatro polos importantíssimos, o Sul (RS e SC), São Paulo (Capital e Paulínia), Rio e Nordeste (Bahia e Pernambuco). Somos o país que produz os filmes mais ecléticos depois da Índia, dada nossa gama de oportunidades de histórias serem contadas em diferentes ambientes de diferentes maneiras por diferentes olhos. Somos pobres no dinheiro, mas ricos na cultura. Se você não gosta do cinema brasileiro, desculpe, mas você não conhece o cinema brasileiro.

Não estou aqui me referindo às Globo Chanchadas ou aos filmes do Tele Cine, estou me referindo ao cinema nacional que brota em cada canto desse imenso país, de desenhos animados a filmes de comédia, ação e drama. infelizmente a maioria do que nos é exibido ainda não é o ouro, mas sempre um escapa entre a cruel peneira e vem parar nos cinemas brasileiros, o final vocês já devem ter percebido o que acontece.

Aquarius, filme do pernambucano Kleber Mendonça Filho, diretor do também aclamado O Som ao Redor, estrelado por Sônia Braga – que dizem as boas línguas que é seu melhor trabalho no cinema -, conta a história de Clara (Braga), uma mulher de 65 anos que é a última moradora remanescente do edifício Aquarius, em Recife, um antigo prédio dos anos 40 que está sendo comprado pela empreiteira de Geraldo Bonfim (Fernando Teixeira) para a construção de um outro edifício com o mesmo nome, porém maior e mais moderno. O filme trata da luta de Clara para impedir que destruam o prédio e com isso toda sua história, além de contar com gigantescas críticas ao setor imobiliário, relações de poder e até uma analogia antropológica sobre o enredo. Aquarius é um filme perfeito e quase todos os detalhes, recebeu nota 7,8 no Imdb, o índice mais respeitado de cinema no mundo e cinco estrelas na Adoro Cinema, um dos índices mais importantes do Brasil, além de sair recheado de criticas positivas do festival de Cannes, onde concorreu pela Palma de Ouro, porém perdeu para outro excelente filme, I, Daniel Blake, de Ken Loach, que conta o entrelaçamento da vida de um senhor de meia-idade e de uma mãe com dois filhos, uma severa crítica ao obsoleto e burocrático sistema de previdência inglês.

Já dizia meu professor de História do Cinema e curador do Museu da Imagem e do Som de Campinas, Orestes Toledo “O cinema nacional é estrangeiro no Brasil”. Nunca vou me esquecer dessa frase, além disso, não me esqueço nunca de que ao momento que a escutei pela primeira vez – e foram muitas -, concordei na hora, pois é isso mesmo que infelizmente acontece, não damos real valor ao nosso maravilhoso cinema nacional, nós o negligenciamos de tal maneira que ser cineasta no Brasil é coisa de rico e de quem realmente está disposto a quebrar muito a cara, pois além dos equipamentos serem caríssimos, a chance de não haver retorno é real. O cineasta brasileiro muitas vezes produz o filme já pensando em exibi-lo lá fora, pois sabe que aqui dentro suas chances de sucesso passam em se vender à Globo, que insiste nas comédias sem graça e nos dramas sem quaisquer profundidade, o lançamento de um bom filme pela empresa acontece raramente e, olha só que interessante! Fica pouquíssimo tempo nos cinemas também.

aquarius-2

Sônia Braga atuando em Aquarius, disponível em ~alguns~ cinemas (não por muito tempo)

 

Infelizmente o cinema no país é marginalizado e para mudar isso são necessários programas de incentivo a cultura nacional, não é possível aceitar de peito aberto o que vem de fora sem contestar o porque não assistimos em nossas poucas horas vagas algo da nossa língua, da nossa cultura.

É um verdadeiro massacre cultural o que fazem com os filmes nacionais dentro do próprio cinema brasileiro e o mais engraçado, como supracitado, os filmes que os donos de cinema acham que são melhores que os nossos são na realidade uma parcela da produção hollywoodiana que custou caro e para eles “não ficou tão ruim assim”, não é atoa que vemos os melhores filmes estrangeiros nos cinemas logo após os grandes festivais.

Caso tenha a oportunidade de assistir ao filme Aquarius, não a deixe passar, vale a pena cada segundo. Caso tenha o privilégio de ter uma TV a Cabo em casa, assista aos filmes do canal “Curta!”, da “TV Cultura”, da “TV Brasil” e até mesmo do “Telecine Cult”, valorizem a nossa sétima arte.

De um escritor cinéfilo, o meu clamor.

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