CARA GENTE BRANCA

Cara gente branca, eu presumo que nos ultimos 300 ou 400 anos nada na cultura – Nacional ou internacional  – tenha com tanto êxito botado o dedo na ferida de seus privilégios dentro de um show de TV como uma série da Netflix, com o mesmo nome da provocação supracitada, fez a partir de 28 de abril. 

Deixe-me ser mais claro, ops, bom, vocês entenderam, nenhum programa até hoje dentro da cultura de massas pode expor melhor a situação sobre o racismo dentro do meio acadêmico,  tal qual “Cara Gente Branca” – com todo respeito,  mestre Spyke -, pois adaptar uma história de um filme tão bom (2014) e fazer dela uma série tão bem desenvolvida é uma tarefa que poucos produtores que mantém a sanidade se habilitam pra fazer, isto é, ir contra o pensamento hegemônico – e racista – das emissoras norte americanas e publicamente acusar a Fox News de racismo é algo a ser aplaudido. Pensemos assim, uma série que tinha tudo para ser boicotada, um fracasso, se mostrou uma das melhores produções da Netflix, ao nível de Orange is the new black e Breaking bad.

Acalme-se, caso o problema for o famigerado “spoiler”, porém esse texto se trata da série em questão e não do filme, por isso é meu dever informá-lo, leitor: ASSISTAM ANTES AO FILME (tem no Netflix também).

[SPOILER]

A série começa ao término do filme, caso você tenha assistido, sabe do que eu estou falando. Sam segue com seu programa na rádio da Winchester University e ganha ainda mais notoriedade após a festa de Halloween dada por Kurt na Pastiche. O foco da trama segue de certa forma rodeando Sam e seu affaire branco, além de introduzir uma nova personagem na série,  Joelle. Como uma das líderes do movimento negro da Universidade,  Sam se vê como responsável por administrar sua vida acadêmica,  amorosa e política. 

[FIM DO SPOILER]

Porém o interessante é que a trama não se fecha aos dilemas de uma só personagem,  pelo contrário, abre espaço para três brilhantes figuras: (além de Sam White) Reggie, Troy e Lionel. Esse quarteto divide as atenções do espectador de forma amistosa, onde a cada episódio conseguimos nos aprofundar cada vez mais em seus dilemas que, ao final da temporada, se explicam facilmente àqueles que prestaram atenção nas personagens. 
De certa forma, achei brilhante,  provocante e necessária a série.  Tratar sobre racismo num mundo polarizado e capenga como o nosso (sim, Brasil) pode muitas vezes ser um tiro no pé,  mas com as palavras certas é possível alcançar espaços que os negros nunca imaginaram!

Samantha White

AH! E, cara gente branca… esse show não veio para agradar seus privilégios.  BRACE YOURSELVES 

Nota: 9/10

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