“COMUNISMO NÃO!”, UM TEXTO NECESSÁRIO

É com esse grito de ordem que podemos resumir a situação do país nesses últimos três anos e meio – quiçá antes, mas não possuo idade o suficiente para lembrar de estar prestando atenção nisso, até porque, sendo bem honesto, fiz o “movimento contrário” da maioria dos brasileiros, indo da direita para a esquerda. O país voltou a discutir a legitimidade do sistema idealizado por Marx e Engels, oriundo de uma vida de pesquisas e obras de leitura pesada e cansativa, escritos e mais escritos e tudo o que vejo os marxistas acadêmicos e militantes mais cultos falando é “parece que de nada adiantou”. Ora, a população leiga dificilmente pega uma obra de Marx e Engels, nem mesmo O Manifesto Comunista, livrinho que é possível de ser lido em uma tarde, para analisar na fonte aquilo que critica.

Essa infeliz ignorância é o que dá espaço para discursos absurdos e sensacionalistas, apaixonantes e convincentes de que o comunismo é o próprio demônio travestido de ideologia perversa. O que gera na população um medo irrefreável de que o país se torne comunista (isso claro, excluindo os lunáticos que ousam dizer que outrora o Brasil foi comunista) ou algo do gênero. Essas pessoas se apegam num discurso anticomunista que foi desenvolvido com cautela pelos setores que detinham – e até hoje detém – as propriedades privadas dos meios de produção.

Uma maneira bacana e menos pesada de entender como foi construído esse ideal anticomunista no país está na obra de João Paulo da Silva, o livro Comunismo Não! A influência do jornal “Correio de São Carlos” na construção do anticomunismo no município entre 1934 e 64, de 2010, da editora da Fundação Pró-Memória de São Carlos. Uma monografia que busca em três capítulos, desvendar o desenvolvimento desse ideal de que o comunismo é o método mais nefasto que poderia controlar nossas vidas.

Silva divide sua obra em explicar o surgimento do discurso – oriundo dos estadunidenses -, mostrar como ele é aplicado no Brasil – a partir de quatro pilares, o anticomunismo católico, o anticomunismo nacionalista, o anticomunismo liberal, o anticomunismo trabalhista e o anticomunismo de esquerda – e a construção do imaginário anticomunista na cidade de São Carlos – SP.

Dissertei a respeito das duas primeiras páginas num artigo não oficial sobre “Os pilares do anticomunismo no Brasil”, confira tanto o PDF (clicando aqui) quanto a obra de Silva – o único problema talvez seja a dificuldade de encontra-la, só achei uma na Biblioteca Comunitária da UFSCar.

 

“Em cada época, é preciso arrancar a tradição ao conformismo, que quer apoderar-se  dela. Pois o Messias não vem apenas como o salvador; ele vem como o vencedor do Anticristo. O dom de  despertar no passado as centelhas da esperança é privilégio exclusivo do historiador convencido de que também os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer. E esse inimigo não tem cessado de vencer”.

(Walter Benjamin)

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