AH, O DIREITO BURGUÊS

moro-diz-que-nova-prisao-de-leo-pinheiro-nao-tem-relacao-com-acordo-de-d

O direito burguês, aquele oriundo das regras desenvolvidas pela sociedade, a mesma sociedade que assinou lá atrás aquele pacto para conviver em harmonia, sabe?
O direito burguês que rege nossa sociedade ocidental e, mais especificamente – para não ofender os países ocidentais onde o direito também é justo -, nosso Brasil em eras de pós-verdade. Que por muitos anos se revestiu com o mantra de ser aquilo que separaria os meninos dos homens e garantiria nosso convívio “saudável”.
O direito burguês que, ao menos em uma grande maioria de países do ocidente moderno, está baseado no princípio da presunção de inocência. E o que nós, povo metido a besta, fizemos, há muito tempo – alguns dirão que nunca tivemos – …? Jogamos este na lata do lixo, decidimos agir, num intervalo de três anos, politicamente quando escancaradamente – e nos laudos -, réus participavam de um processo jurídico.
A queda dos dois símbolos do maior partido de esquerda (de “esquerda”) do país. Os fogos de uma elite movidos pelo astuto pensamento de uma Classe Média Branca. “Já estamos cansados de ouvir isso!” “Golpe? Perseguição política?! balela! A-c-e-i-t-e-m, petistas, que dói menos! Seus íderes corruptos julgados! Ela impichada e ele vai pra cadeia (?)!”

Ah, o direito burguês que nos fez acreditar que poderia ser diferente, que poderiam seguir a lei. Já não a seguem com indivíduos de menor expressão todos os dias nas periferias desse brasilzão, poxa! Por que seria diferente com aqueles que, a bem da verdade, para o pensamento da Classe Média, são a periferia, são os pobres que chegaram lá e deram algum sustento para outros pobres, no popular: “para que o filho da empregada esteja na mesma universidade da filha da patroa”.
Ora, esse direito burguês sabe enganar direitinho, ein?! Me fez de bobo, nos fez de bobo (?)

É nessa situação cabulosa que nos encontramos que lembramos que o direito burguês por muitas vezes serve à classe burguesa e não a nós, e não aos burgueses que ousam trair seu pensamento de classe, esse direito não nos pertence.
Sem provas, com convicção; isso basta dentro do nosso brasilzão.

Não, a sapiência não vence a malícia.

O HOMEM DO ANO

O JUIZ Sérgio Moro, com todas as minhas fichas apostadas nele, é o homem do ano no cenário brasileiro. Goste dele ou não, admitir que 2016 foi o ano em que entendemos seu poder é o primeiro passo para entendermos o que ocorre no país. O principal cabeça da Operação Lava Jato tomou as revistas, jornais, TVs e a boca do povo, tornou-se mártir de uma derradeira investida contra a esquerda brasileira e um nos nomes mais procurados do Google no Brasil. Sua foto tornou-se viral, suas conferências, lotadas e sua índole, inquestionável dentro do senso comum.

Não prometo dissertar sem julgamentos, mas tentarei apresentar algumas reflexões sobre essa figura tão midiática que se tornou um juiz de primeira estância cujo o único objetivo era combater um dos maiores escândalos de corrupção do país.

Ninguém está acima da lei, ninguém pode subjugar a lei, ninguém tem o direito de contorcer a lei, mesmo que leve a decisões que uma parcela da população considere viável. Talvez a máxima maquiavélica que diz que “os fins justificam os meios” nesse caso bastam para que toda uma crise institucional leve o país à beira de um Estado de exceção.

Acordei pela manhã na casa de um casal de parentes distantes e percebi que a TV estava ligada na Rede Globo com o plantão começando. Era Lula sendo conduzido coercitivamente a mando de Moro para depor sobre suas acusações na Lava Jato. Daquele dia em diante, entendi o que alguns já haviam me alertado: o efeito-Moro é um poderoso sedativo. Uma figura jurídica (e não apenas política ou midiática) estava sendo usada para a justificação de quebras no Direito constitucional.

Art. 260 do Código de processo penal: Das Conduções Coercitivas. Se o acusado não atender à intimação para o interrogatório, reconhecimento ou qualquer ato que, sem ele, não possa ser realizado, a autoridade poderá mandar conduzi-lo à sua presença. Parágrafo Único. O mandado conterá, além da ordem de condução, os requisitos mencionados no artigo 352, no que lhes for aplicável.

A lei está clara, não é possível fazermos interpretações analógicas ou extensivas ou quaisquer outras formas de tergiversação sobre os dispositivos legais. Então como deixamos passar isso? Pois os fins justificam os meios? Pois a imagem de Lula de nada interessa? Esse poder que o setor judiciário do país recebeu é o medidor de exaltações dos indivíduos cujo máximo que podem fazer é irem às ruas protestar. Naquele dia abriu-se uma brecha para outras inúmeras injustiças, como por exemplo o impeachment – que foi um julgamento puramente político e midiático – e outros causos que envolviam figuras do outro lado do campo político, como a condução coercitiva de Silas Malafaia, agora em dezembro.

epoca

Matéria no site da ÉPOCA, um dia após o evento. Veja como o efeito sedativo legitimou Moro a descumprir a lei.

Moro sabe o poder que tem nas mãos, provavelmente também sabe o poder de que tem as mãos nele, porém a maré está à direita e tudo conspira a favor dessa nova onda neoliberal, cujos dois primeiros passos – o impeachment e a degradação da esquerda – já foram concluídos com sucesso e quase nenhum esforço. “De grão em grão, retrocedemos, sempre em nome da moral pública”, comenta o Prof.Dr. Lênio Luiz Streck, da Universidade Estácio de Sá. O que o professor quer dizer é que todos esses casos à revelia do ordenamento jurídico enfraquecem o Estado de Direito e substituem a lei por uma moral manuseável apenas pelo alto escalão brasileiro. Ainda segundo Streck, “para prender, basta dizer  a palavra mágica: clamor social e garantia de ordem pública”, é a nossa bandeira sendo usada como prerrogativa de um Estado de exceção, “Ordem e Progresso” – tiramos o “amor”, hoje sentimos falta dele – e Sérgio Moro cumpre à risca essas palavras, pois para manter uma ordem baseada numa moral que não o direito constitucional, são necessárias mãos de ferro, por isso “O Homem do Ano”.

Não vejo ninguém melhor preparado no Brasil para fazer o que Moro fez/faz, visto que, convicções sem provas à parte – e isso serve tanto para o espetáculo de seu fiel escudeiro Deltan Dallagnol quanto para os conspiracionistas da esquerda -, a Lava Jato alcançou seu status midiático necessário que acalma ao mesmo tempo que explode o povo brasileiro. Ninguém no lugar de Moro faria melhor e qualquer outro sofreria e toda arquitetura ruiria em questão de meses, os jornais não conseguiriam sustentar a operação e o que é uma ordem no caos tornaria-se apenas o caos.

“O machado está entrando na floresta, mas a árvore alertou suas irmãs: ‘Relaxem, o cabo é dos nossos!'”, com essa anedota é possível entender toda a passividade do povo, alegando que está sendo feito “o melhor para o país”, as maiores atrocidades jurídicas foram cometidas em 2016 e tudo isso girando na cabeça de Moro, se o homem ainda não abandonou o caso ou cometeu suicídio depois de ver seu objeto de estudo e pesquisa por anos nas universidades ruir é por que ele é um diferenciado, talvez seja o salvador da pátria.

Hodiernamente motivação é igual a fundamentação – e o Power Point de Dallagnol nos explicitou isso -, o processo é transformado em instrumento e juízes e membros do MP, dentro desse cenário desgastante, começam a acreditar piamente que são salvadores da pátria. Salvadores da pátria, por mais bem intencionados que sejam, acabam sempre assumindo uma postura voluntariosa contrária ao Estado de Direito. Se Moro promete servir a esse Estado de Direito e a essa CF, temos algo a pensar.

Ministério Público denuncia Lula

O espetáculo de Dallagnol. “Não temos provas, mas temos convicção”, tudo para ver Lula na cadeia, a – talvez – ação mais importante dentro da Lava Jato.

Em termos maquiavélicos, se o Príncipe em prol de manter o Estado funcionando, justifica suas ações pelo reflexo do resultado final é porque ele entende que manter  o equilíbrio da política é crucial para atingir-se os objetivos, nem que  para isso ele aja fora de uma moralidade comum, ou adequando-se ao Brasil, utilize a mídia para moldar essa moralidade. Se o príncipe for justo e amoroso, conduzirá o Estado à ruína.

michel-temer-abandona-lideranca-do-pmdb_664285

Temer se espelha em Maquiavel, a diferença é que Temer não possui as qualidades de um Condottieri

“Tudo é possível quando um mandato presidencial é desrespeitado. O impeachment sem crime de responsabilidade escancara as portas para o avanço da crise política e institucional. Daí os conflitos institucionais que se aprofundam e o choque entre Legislativo e Judiciário. As relações de harmonia e equilíbrio entre os Poderes, exigidas pela CF, estão comprometidas”

Ex presidenta Dilma Rousseff

O impeachment não foi a cereja do bolo para essa crise nacional, foi o start que alimentou o desejo do brasileiro que a justiça seria feita… assim.

Moro segue com a Lava Jato a todo vapor, afinal, ele ainda não terminou sua caça a Lula. São mais de 160 prisões, 71 acordos de delação premiada, 259 acusados formalmente, R$38.1 bilhões em ressarcimentos, R$756.9 milhões em repatriação. Até o fim desse texto foram 120 condenações, contabilizando 1257 anos, 2 meses e 1 dia de pena.(dados do MPF)

mi_25755695003781495

Sérgio Moro posando para a capa da Isto É.

O homem do ano possui números exorbitantes nas suas costas, mas a que custo?

BOM DIA.

tumblr_njhvk3QTsg1r1ms15o2_1280

“A Família é a primeira noção de hierarquia e, tal como as famílias se reproduzem, as instituições sociais também se reproduzem, a cultura se reproduz, a ilngua se reproduz, os preconceitos se reproduzem (…) A distinções em si não são ruins, o problema acontece quando a cultura e a sociedade começam a inventar valores para essas distinções sociais, como se uns fossem mais importantes que os outros – como se uns fossem melhores que os outros, como se uns tivessem que reverenciar os outros, como se uns tivessem que se humilhar perante os outros -, a tal ‘Violência Simbólica’.” (Talcott Parsons).

“Se dizemos que há distinção social elementar entre homem e mulher, temos que admitir que essa divisão social vem falhando, em algum momento na história dos antepassados, ela não se tornou somente um ideal de divisão entre ‘o melhor e o pior’ – entre o soberbo e o humilhado, ou o caçador e a que cozinha a caça – em algum momento na história da humanidade, nós chegamos a encontrar o extremo absurdo, onde o homem inventa a propriedade da mulher para si” ( Pierre Bourdieu).

(maldito seja) E isso ainda existe em várias sociedades, a sombra desse passado ainda nos persegue e nossa sociedade ocidental humanista secular, laica, tecnológica [..] aonde não somente existem homens e mulheres, como manda o padrão, mas também lésbicas, gays, travestis, transsexuais, bissexuais… putas, merecem uns mais respeito – e dignidade – como os outros. E os que lhes negam tal respeito, tal cidadania são os mais trogloditas, mas estão lá, no topo pagando de “dotô” de terno e gravata e rindo de nossa cara, da cara dos que sequer gostam de parar para pensar (bando de desgraçados), de entender que o que se pede não é a destruição dos pilares que sustentam a sociedade (essa sociedade machista, misogena, homofóbica, elitista e racista) e sim a reorganização para algo mais justo. Não sei se alguns marxistas estão certos de que essas desigualdades só vão acabar quando não houverem mais oprimidos e opressores, pois se tratando de luta de classes, o intrínseco ideológico também conta como arma inteligente dentro da sociedade, independente de camada social (economicamente falando). Enquanto houver um oprimido repetindo o discurso do opressor, haverá desigualdade, enquanto não houver harmonia entre os diálogos haverá desigualdade, enquanto o deputado, o senador, o prefeito, o vereador, a presidente não entenderem que eles são também parte do “povão”, haverá desigualdade, enquanto você não entender que a blusa que eu comprei na Renner aquece da mesma maneira que a blusa que você comprou na Lacoste, haverá desigualdade. Mas você está condicionado – estamos condicionados – a achar tudo bem em vendermos nossa força de trabalho em troca de mazelas mizeráveis que gastamos em comida, bebida, supérfulos, prazer e o resto em impostos, não que seja ruim, mas que são criticados por não haver retorno. Enquanto houver egoísmo extremo haverá desigualdade.

Não há soluções que já não foram propostas, há apenas grandes grupos sociais egocêntricos que não estão dispostos a largar o peixe de maneira alguma, desviam milhões de obras públicas e privadas para suas contas na suíça a troco de enfiarem todo esse dinheiro no rabo antes de morrer, pois o fim de um petista, um tucano, um liberal, um revoltado online, um homossexual, o meu, o seu é o mesmo. A sete palmos embaixo da terra.

RETROSPECTIVA 2014

Como a maioria dos blogs e sites mais famosos estão fazendo, resolvi entrar na onda e encerrar o 50SON desse ano com uma retrospectiva dos fatos – para mim – mais marcantes do ano. Política, esportes, entretenimento e afins que marcaram um ano conturbado no Brasil e no mundo.
Não por ordem cronológica, mas por importância e relevância para mim, os acontecimentos citados abaixo vão de experiências in e out para que repensemos nossas vidas e como vamos tocar o mundo daqui para frente. Espero que gostem!
1) SHOW REAÇA 2014
NADA no ano foi mais desagradável que o mimimi reacionário de 2014 e não estou falando apenas dos eleitores do Aécio (como de praxe), mas de toda uma direita que na verdade não sabe porque é de direita, aqueles que foram às ruas em junho do ano passado se acharam no direito de usar uma manifestação apartidária como pedido para a volta do PSDB ao governo federal. Não me lembro se disse aqui, mas meus votos se dividiram nessas eleições, no primeiro turno votei por mudança e no segundo contra o retrocesso (dá para entender?). Liderados por velhos e novos ícones como Lobão, Olavo de Carvalho, Kim PK, Rachel Sheherazade, FHC, Aécio Snow entre outros, a Elite Branca brasileira fez a mais intensa, porém pior oposição de todas as eleições e mesmo assim quase venceu os “comunistas socialistas do Foro de São Paulo”… Com pedidos pífios de intervenção militar, anulação das eleições e o efeito Aécio, a direita brasileira se mostrou despreparada para assumir posição de prestígio no país: Se perdendo já provoca esse rebu todo, imagina vencendo? O show reaça 2014 ainda invadiu as redes sociais provocando brigas e zoeiras intermináveis, as palavras que mais li esse ano no Facebook foram: Dilma, Aécio, coxinha, petralha, corrupção e água.
IN: Luciana Genro OUT: Lobão
2) ESTADO ISLÂMICO
SURGE um novo califado no Oriente Médio, uma rápida expansão terrorista pode decretar uma nova guerra mundial. Isso não é loucura nenhuma se pensarmos que a ONU está dividida entre atacar ou não os líderes e sede do ISIS. As reuniões agora estão mais pautadas nessa “febre do mau”, uma espécie de bomba cujo detonador está nas mãos dos Estados Unidos, porém em contrapartida, os reféns estão em poder dos terroristas. A justificativa ainda é uma jihad, mas sabemos bem que passa disso e que Al-Baghdadi, califa, possui pensamentos de expansão da ideologia islâmica, o que não seria nada anormal se não fosse uma expansão pela força, matança, violação dos direitos humanos e nenhuma cordialidade. As cartas estão na mesa e quem atirar a primeira pedra poderá ser entendido como aliado ou adversário, a presidenta Dilma já se pronunciou uma vez dizendo que prefere o diálogo a uma guerra armada, mas fica difícil dialogar com um pessoal que decapita estudante e crucifica gente a torto e direito, os próximos anos serão de tensão extrema e não vai demorar muito até simpatizantes do terrorismo se manifestarem nas redes sociais.
IN: Mino Carta OUT: Dilma Rousseff
3) FUTEBOL BRILHANTE
NÃO SÓ jogadores, mas times e seleções incríveis ganharam espaço na TV e noticiários, o ano simplesmente foi fantástico em todos os aspectos, não me arrependo de nada que vi esse ano a respeito de futebol. Tivemos o nascimento de ícones como o alemão Mario Götze, o colombiano James Rodríguez e a asenção do galês Gareth Bale, além disso, vimos a evolução do garoto Neymar jogando pelo barcelona e a persistência de mitos como os jogadores Andrea Pirlo, Rogério Ceni, Buffon e Xavi Hernández. Tivemos também a Copa das Copas sediada aqui no nosso querido Brasil anil e com certeza ela merece essa nomenclatura… Seleções que ninguém acreditava fizeram bonito (Colombia e Costa Rica), seleções que todos acreditavam deram vexame (Itália, Inglaterra, Portugal e Espanha), craques se tornaram lendas (Bastian Schweinsteiger, Manuel Neuer e Arjen Robben), lendas se tornaram mitos e mitos quebraram recordes (Miroslav Klose, maior atilhero da história das copas, superando Ronaldo com 16 gols), tudo isso e o Brasil, o Brasil seleção, o Brasil país o Brasil torcida, dos três, apenas um eu isento de vergonha nacional e apenas um eu não isento de culpa geral… A seleção foi massacrada no maior vexame da história das copas (envolvendo seleções de peso), uma humilhante derrota em pleno Mineirão por 7×1 contra a toda poderosa Alemanha que fez o que a seleção de David Luiz e cia não fez: Jogou futebol. A torcida dos estádios (por parte brasileira, claro) falsa, não mostrou o que é ser brasileiro, maquiavam a imagem de “torcida amiga” cantando o hino a capela, mas não demonstravam calor ao jogo, não tinham aquele espírito do torcedor que normalmente lotaria um Maracanã, um Mineirão ou o estádio do Corinthians e para fechar, vaiaram a presidenta e a xingaram em rede nacional – gostaria de ver se teriam culhão para xingar a mulher do vizinho em rede nacional daquele jeito – e o Brasil país, esse que se esforçou para não ser mais um cachorrinho da FIFA, porém não se esforçou o bastante, em meio a corrupções, superfaturamento e desvio de verbas as obras da copa foram ficando prontas e o novo maracanã foi erguido e quase viu Lionel Messi levantar a taça de campeão do mundo. O ano também foi dos técnicos e esses sem dúvida alguma já tem meu veredicto: Melhor do ano para Simeone, do Atlético de Madrid e o fiasco do ano vai para Felipão, um técnico obsoleto que está fazendo hora extra no trabalho.
IN: Seleção Alemã OUT: Carlos Parreira
4) CINEMA DECENTE
BLOCKBUSTERS parecem não ter mais vez no Oscar e isso foi provado com a escolha do melhor filme do ano passado, 12 Anos de Escravidão, mas parece que não só Hollywood aprendeu isso como o cinema brasileiro também e a Globo Filmes, pela primeira vez não produziu o melhor filme brasileiro do ano (para mim), o longa Hoje eu Quero Voltar Sozinho foi o filme não-estrangeiro fora da globo filmes com mais audiência nacional, além de repercussões e prêmios internacionais que renderam uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro. vitória para os cinéfilos que podem apreciar agora filmes com mais enredo, história e informação, tudo isso se une ainda com as novas declarações da Ancine, que limita as exibições de filmes estrangeiros no nosso país, veremos agora se os que ocuparão seus lugares serão as comédias pastelão de Leandro Hassum ou filmes de alguma importância além de puro entretenimento. Ícones se foram esse ano e a morte mais sentida internacionalmente com certeza foi a de Robin Williams, mas também tivemos celebridades que nos deixaram com aquele cisco incomodando os olhos como Phillip Seymour Hoffman, Roberto “Chespirito” Bolaños, José Wilker entre outros.
IN: Daniel Ribeiro OUT: Cinema Blockbuster
5) VIVA A DIVERSIDADE!
INÚMEROS casos de lgbtfobia ocorreram pelo Brasil e mundo a fora, mas com certeza esse ano foi o mais valoroso para a luta da militância lgbt contra o preconceito e da declaração de muitos ícones que reforçaram esse processo de mudança que, para mim, já deveria estar num patamar mais avançado – mas estamos falando de Brasil, ou seja… -, mesmo com o apoio do governo federal, bancadas evangélicas barram PL’s que ajudariam na luta contra a homofobia e o povo parece entrar numa dicotomia de lucidez e emburrecimento: ou você é a favor ou é contra e ponto final. Não! Não é assim que funciona e temos que demonstrar isso, o correto seria: mesmo não sendo a favor, lembre-se que você não está sozinho no mundo. Os dois mitos criados que foram mais ditos em 2014 com certeza foram a “Ditadura Gayzista-Feminazi” e a preservação da “Família Brasileira”. Os conservadores que não aguentaram partiram para o ataque direto, exemplo mais escandaloso foi de Levy Fidelix em plena rede nacional e com seus posts e declarações pelo You Tube, Olavo de Carvalho foi a “sensação” da internet, atribuindo toda militância gay ao comunismo e fechando com chave de ouro com a frase “matem todos os comunistas” assim como o Padre Paulo Ricardo e suas analogias pífias juntamente com o canal Dois dedos de Teologia. Por outro lado, a força dos canais de entretenimento e notícia do You Tube ganharam força gigantesca, méritos para o canal Das Bee e o canal Põe na Roda, que revolucionaram o universo online lgbt brasileiro e a sensação norte americana Brendan Jordan, que deu um novo calor à discussão sobre ser gay discreto ou chamativo, em suas palavras, Brendan diz “eu não me importo em ser chamativo, pois você acha isso, eu não quero ser mulher, eu quero ser um homem fabuloso”. #Lacrou é pouco para resumir a atitude dos lgbt esse ano.
IN: Brendan Jordan OUT: Pe. Paulo Ricardo
Esse foi o top 5 dos temas mais quentes de 2014, mas não é só. A seguir a lista continua com os fatos e ícones mais relevantes do ano:
6) LITERATURA
IN: O Capital no séc XXI (Thomas Piketty)
OUT: Literatura caça-níquel de John Green
7) PROTESTOS
IN: Revolta dos guarda chuvas na China
OUT: Manifestação para impeachment de Dilma aqui no Brasil
8) RACISMO
IN: Atitude de Daniel Alves ao comer uma banana jogada por um torcedor em meio a partida
OUT: Torcida do Grêmio
9) OUTROS ESPORTES
IN: Vitória do surfista Medina, campeão do mundo no Havaí
OUT: Duras críticas ao comitê dos Jogos Olímpicos Rio 2016
10) PERSONAGEM DO ANO
IN: Pepe Mujica
OUT: Kim Jong-un

OBRIGADO AOS MAIS DE 900 VISITANTES DO 50SON ESSE ANO, ESPERO PODER CONTINUAR COM O TRABALHO NUM FUTURO PRÓXIMO. DIA 2 DE JANEIRO TEM POST NOVO, BOAS FESTAS E VIVA LA REVOLUCIÓN!

DAILY POST #2 AS CAUSAS LGBT E REFERÊNCIAS A RELIGIÃO

No meu post sobre Ateu ou Neo-Ateu, já deixei clara minha posição sobre o estado laico e as intervenções religiosas, mas agora vou me focar – e fazer polêmica – com apenas uma vertente: os direitos LGBT.
O mundo é composto de milhares de religiões, mas dessas milhares podemos separar as principais: Os Cristão (Católicos e Evangélicos), os Judeus, os Islâmicos, os Hindus e os Budistas (caso você considere budismo uma religião). Dentre elas, temos dezenas de vertentes, mas para o main point desse post, não será necessário essa divisão.
Nos diferentes Estado – democráticos ou ditatoriais – é possível ver uma religião predominante, onde a mesma, sem querer muitas vezes, dita bases da moral do povo e uma intervenção brusca muitas vezes pode acarretar numa analogia da mola, o que não queremos de forma alguma. Essa moral inconsciente é o que ajuda a sustentar uma comunidade, sim, claro. Porém ela não pode ser única, muito menos incorruptível. A quintessência dessa moral trata-se em respeitar o próximo como a si mesmo e esse padrão sim é o aceitável. Mas e em relação ao “diferente”?
Sem precisar entrar no mérito biológico da homossexualidade (ou bi, ou trans) é fácil saber que existe uma minoria representativa de gays (me referindo aqui a toda comunidade LGBT) sejam eles assumidos ou não. Os mesmos querem seus direitos atendidos, mas em primeiro lugar, serem respeitados… E como respeitar se existe uma moral que automaticamente te desrespeita?
Comecemos pelo Islamismo dos muçulmanos, seu livro, o Corão transmite a mensagem, na 26ª sura, Livro dos poetas: “Dentre as criaturas, achais de vos acercar dos varões, deixando de lado o que vosso Senhor criou para vós, para serem vossas esposas? Em verdade, sois um povo depravado!”. Ou seja, o Corão diz que o homem foi feito para a mulher e que pensamentos homossexuais até são permitidos, mas o ato é uma afronta a Deus e ao Corão.
No Judaísmo e no Cristianismo, por serem de uma mesa vertente, vemos uma igualdade e uma diferença. Para ambos, Levítico 20:13, do velho testamento serve: “Se um homem coabitar sexualmente com um varão, cometerão ambos um ato abominável; serão os dois punidos com a morte; o seu sangue cairá sobre eles.” Porém na fé cristã, esse preconceito se estende na carta de Paulo aos Coríntios (1Coríntios 6:9) e em 1 Timóteo 1:10.
No Hinduísmo, a homossexualidade é tratada como uma forma de amor como qualquer outra, existe apenas uma vertente mais extremista, o Código de Manu, que trata a homossexualidade como “punível”, mas apenas após a morte.
Para os que consideram o Budismo uma religião, os ensinamentos do sábio Buda são muito claros quando se referem ao amor sem discriminação, todos são igualmente amáveis e dignos de amor, além dos ensinamentos também pregarem o respeito mútuo.
Nas inúmeras religiões africanas nativas, podemos ver divergências já que muitas não possuíam livros ou escritas com seus ensinamentos, mas algumas tratam a homossexualidade como um desejo normal do homem, outras acreditam que é um distúrbio que pode ser reversível e muitas demais não aprovam nem reprimem, afinal amor é amor. OBS: o fato de religiões africanas não serem muito embasadas não lhes tira o mérito, religião é religião! Um fato a ser estudado são as várias vezes que o continente foi invadido e catequizado, portanto a raiz de muitas religiões já se perdeu há tempos.
Movimentos de menor expressão como os Wicca também aceitam a homossexualidade como normal, nenhuma base do Confucionismo chegou a estudar o fato da homossexualidade.
Por que coloquei as religiões nessa sequência? Simples, observando da primeira até a última, vemos que o preconceito vai diminuindo cada vez mais – isso porque eu não citei os gregos politeístas que faziam sexo entre si por diversão, mas casavam-se com mulheres e os politeístas egípcios, pois os hieróglifos não apontam fatos discutíveis sobre relações homossexuais de 5000 anos atrás.
Ainda hoje estamos vendo o oportunismo religioso transformar em zumbis fanáticos seus fiéis de intelecto fragilizado pela culpa, pelo medo do pecado e assustados ante a chamada “Ira de Deus”. Essa dominação vem bem a calhar para os interesses políticos dos religiosos fundamentalistas, que usam suas igrejas para enriquecimento ilícito e garantias eleitoreiras.

Espero que se você, que está querendo mudar de religião ou encontrar uma e pertence a comunidade LGBT e está com receio, que pesquise o que é melhor para você e o que mais fará você feliz. Lembrando que todas as religiões supracitadas contém no Brasil.

63431_523402467721112_832716337_n