REVOLUÇÃO E REACIONARISMO – O CAPITAL CONTRA A VENEZUELA

“Um dia histórico esse da Constituinte” – Nicolás Maduro, presidente da Venezuela (30 de julho de 2017)

Postei esses dias na minha página pessoal do facebook a seguinte, rápida e singela frase:

“A burguesia que está aí hoje é a que invadiu palácios, queimou, explodiu, cortou cabeças de homens mulheres e crianças para aniquilar o sistema monárquico… Essa mesma burguesia hoje, diz que as revoltas e tentativas de derrubá-la são atos ‘terroristas’.
Ninguém cede o poder de graça, para haver revolução tem que haver luta”.

Essa frase, para um/a bom observador/a, logicamente resume em poucas palavras minha posição a respeito do que vem ocorrendo com o governo de Maduro – que, salvo proporções, não é um Chávez (assim como Stalin não era um Lênin) – na Venezuela, o país do momento dos ataques midiáticos que vêm, com sucesso, transformando a opinião pública aos moldes imperialistas e acusando o governo de ser uma ditadura sanguinária e antidemocrática.

O que vem acontecendo com as mudanças do governo venezuelano que, após a votação do último dia 30, decidiu por convocar uma assembleia constituinte¹ é uma jogada política, ao meu ver, de afronta ao sistema entreguista latino-americano, uma jogada que mantém a soberania do país nos trilhos e que impõe a oposição um contragolpe constitucional, isto é, a convocação de uma Constituinte pelo presidente da república está resguardada na CF da Venezuela²(art. 348), o que dá legitimidade à Maduro de fazer o que fez. Quem discorda, é politicamente, mas do ponto de vista legal, Maduro poderia ter convocado a Assembleia. Essa é uma decisão que se toma de acordo com o momento político do país.

De acordo com Igor Fuser, professor do curso de Relações Internacionais da UFABC, em entrevista ao Jornal da Record no dia 31 de julho, “Essa assembleia foi convocada diante de uma situação de crise econômica e política do país, de maneira que os poderes do Estado não se entendem. O legislativo declarou ‘guerra’ ao executivo e foi colocado fora da lei pelo judiciário, que não cumpriu algumas normas que deveria cumprir. Isso gera uma  situação de ‘paralisia do Estado’, as leis vigentes na Venezuela  não dão conta de um impasse dessa magnitude”.

O que o governo de Maduro fez simplesmente foi chamar o povo para eleger seus representantes que irão decidir o futuro do país, o que é a própria essência da democracia. bem diferente do que houve em 2016 no Brasil, o governo venezuelano chamou o povo para decidir sobre como tocar o país e é o povo que dá legitimidade ao governo.

Por mais que eu não seja um exímio fã do aparato Estatal, o julgo útil quando se trata de proteger a população do Capital e, por mais que o Estado e o Capital muitas vezes andem de mãos dadas, sem o Estado, o Capital tomaria mais conta do mundo do que já toma. Um Estado que seja gerenciado pelo  povo e contra a ordem do Capital, por mais que seja odiado, é mais digno e democrático do que um Estado que adota uma economia de livre mercado – mas deixemos esse diálogo para outro texto.

Por hora vale ressaltar a posição segundo o bombardeio reacionário vindo do Brasil a respeito do contragolpe venezuelano…. Voltemos a 2016 quando o congresso aplicou, sem provas, o golpe de Estado de destituiu do cargo a presidenta Dilma Rousseff. De lá pra cá, pudemos observar os setores que antes eram oposição trabalhando juntamente à mídia para minar toda a esquerda brasileira, primeiro, nos colocando no mesmo “balaio”, por assim dizer… Petistas, Psolistas, Pecebistas, Comunistas e Anarquistas sendo tratados como um só e demonizados mais uma vez na história brasileira como “terroristas” e antidemocráticos. Enfim, esse discurso, que não é novo, agora se volta para nossos vizinhos venezuelanos, uma vez que nosso país emitiu uma nota de repúdio à convocação dessa Constituinte, não respeitando a CF da Venezuela, muito menos sua soberania nacional. À gosto dos EUA, o governo Temer se diz contra o que vem ocorrendo e a mídia nativa o apoia quando escreve e reescreve nos jornais diários que o que os venezuelanos vivem é uma ditadura sanguinária.

Talvez agora possamos voltar um pouco ao meu post no facebook, pois para alguém que perceba a lógica, entende-se que apoiar a Venezuela é apoiar a revolução e, não sei quem disse a alguns lideres de partidos brasileiros que essa revolução seria “pacífica” ou algo parecido. Apoiar a Venezuela não é necessariamente apoiar uma matança, mas entender que haverá resistência da burguesia, que não vai entregar o poder de graça, assim como esta não arrancou a monarquia do poder no “por favor, obrigado”. Apoiar revoluções é apoiar revoluções e não criticar só por que “a revolução não foi do jeito que eu quis” e além disso, é cobrar do povo venezuelano que participe das ações do Estado para que este não se transforme, aí sim, numa ditadura sanguinária e que este se volte a reerguer o país com soberania e aos moldes do que povo mais deseja.

Iremos ler e ouvir ainda muitos discursos reacionários vindo da esquerda e da direita ainda a respeito da democracia venezuelana, mas creio que quem deseja a revolução pelo poder popular deve compreender que o que vem acontecendo nesse país é um forte indicio de que um futuro pode ser possível sem uma manutenção exaustiva do grande Capital.

venezuela

 

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UM GIRO RÁPIDO PELAS NOTÍCIAS OFUSCADAS PELO “PANELAÇO”

Antes mesmo da noite onde as madames, que há anos não mexiam em suas panelas, fizeram uma curta batucada em suas varandas nos bairros mais nobres das cidades Brasil a fora enquanto a presidenta Dilma pronunciava-se na TV, é bom lembrar que no Brasil estão rolando coisas muito mais graves e importante do que a revoltinha da Elite Branca e seus agregados contra o petê malvadão. Se você não ficou sabendo de algo, é só continuar lendo…

Caso de garoto espancado por homofobia na escola termina em morte.

O jovem Peterson Ricardo de Oliveira (14 anos) morreu ontem depois de dias na UTI após ser brutalmente espancado dentro da escola. O motivo? Peterson era filho adotivo de pais homossexuais. Uma barbárie dessas em pleno século XXI não é aceita, mas é constante, enquanto ainda acharmos que leis como a pl 7582 (leia o texto aqui) são “uma perda de tempo”, pessoas vão morrer, seja hétero, homo, bi, trans… o preconceito afeta a todos. O Brasil se cala mais uma vez perante a um ato odioso como esse, todos lgbt’s e simpatizantes morrem um pouco por dentro e com certeza uma boa porcentagem desse peso cai sobre as costas dos fundamentalistas que fomentam essa não aceitação da homossexualidade como normal ou pior, o incentivo a homofobia. Descanse em paz, garoto.

O mundo do sertanejo de raiz perde mais dois ícones.

Alguns dizem que chega uma hora que a pessoa tem que morrer e que devemos nos preparar para isso, porém quando é chegada a hora, não adianta, sentimos uma imensa saudade. E não será diferente com a morte de Inezita Barroso, a rainha do modão e de José Rico, um dos reis da boa música sertaneja… Deixarão saudades na cultura brasileira, obrigado por tudo!

Feminicídio agora é crime hediondo.

Foi sancionado pela presidenta Dilma essa segunda feira a lei do feminicídio, que vai tratar o crime de assassinato de mulheres pelo simples fato de seu gênero como crime hediondo (sem fiança). Além de se tornar um agravante, é mais um direito de defesa que as mulheres terão numa sociedade que as coíbe quase o tempo todo. Logo após a anunciação (que foi feita pela presidenta no meio de seu discurso, domingo a noite – enquanto a Elite Branca batia as panelas -), uma onda de machismo e desinformação surgiu na internet, pessoas que não compreendiam como a lei seria tratada já começaram a esculachar dizendo que era “privilégio” dado às mulheres. Meus amigos homens, entendam: quer privilégio maior que ser homem numa sociedade patriarcal?

Obama engrossa o caldo com Maduro, presidente retruca.

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela e Barack Obama, dos EUA entraram novamente em uma rixa política, o norte americano comentou em rede aberta que muitas das ações de Maduro na Venezuela estão prejudicando todo andamento do sistema da América Latina, além de – claro – não condizerem com o estilo norte americano imperialista de pensar. Obama deixou por meias palavras que cogita interferir nas relações internas da Venezuela, Maduro que não é nem um pouco trouxa, retrucou: “quem cuida do meu país sou eu!”. Na mesma entrevista, o presidente ainda solta cobras e lagartos contra os estadunidenses e bate a mão no peito para defender seu sistema de governo, veja:

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Maduro vive dias de luta na Venezuela, próxima a instalar um caos, o presidente tenta recolher os cacos de sua má gestão para erguer o país de novo dentro da América Latina, assim como no Brasil, a Venezuela sofre inúmeras críticas por ter um governo de esquerda e espera que consiga contornar o golpismo o quanto antes possível.

A Elite fascista de novo mostra como são politizados.

Hoje mesmo, pela manhã, aos gritos de “vagabunda” “ladra” e o clássico “Fora PT”, a presidenta Dilma desembarcou no Tucanistão (vulgo, São Paulo) para uma visita a uma exposição numa fábrica. Os manifestantes, entre eles trabalhadores e outrem, receberam a presidenta “calorosamente”… Realmente a Elite Branca paulistana não consegue mais saber onde acaba o protesto e onde começa o discurso de ódio.

A internet deu as caras, o machismo e a falta de educação são crônicos.

Um caso, digamos particular que ocorreu hoje no Facebook, vi uma foto sobre o aumento do dólar e resolvi pesquisar:

O dólar vale, atualmente:
3,06 reais
0,92 euros
8,37 pesos
0,66 libras

Mas segundo notícias internacionais, só aqui é culpa integral do presidente.

Porém, como brasileiro adora ser grosso quando convém, dois dias depois de parabenizar as mulheres de sua vida, realizam um feito desses:

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Realmente, a vida não está fácil para ninguém. O “panelaço” vai entrar para os livros de história como o dia em que as madames foram perguntar as empregadas onde ficavam as panelas e frigideiras para bater enquanto a presidenta discursava argumentando os fatores que levaram o partido a tomar questões drásticas no país. Trabalho esse que seria feito pela oposição, segundo o próprio Aécio Neves em campanha, mas como o candidato tucano não saiu vitorioso, não valia mais.

Pense antes de criticar, saiba o que criticar… É por isso que o Brasil vive uma onda de golpismo fortíssima. “Fora Dilma” virou bordão, “Fora Dilma” é a nova Hollister.

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